18/04/15

Dos dias menos bons

                                                             Bradley Cooper

Há certos dias que nos ficam na memória e o dia em que reprovei no exame de condução será certamente um deles. 
Poderia dizer bichos e lagartos da examinadora, mas não, tive mesmo uma sorte dos diabos quanto a isso. Antes de iniciarmos a marcha, até nos disse: “Se tiverem alguma dúvida, digam”. Pois, eu sei que por norma eles não costumam ser assim tão simpáticos. 
O percurso que me calhou também não foi nada de extraordinário, ou seja, tinha tudo para dar certo. Estava tudo bem... menos a minha mente. Lá no meu íntimo sabia que não ia conseguir, nem me sentia muito confiante. Mesmo assim, resolvi tentar e arriscar, porque afinal não ia marcar aulas extras para sempre, certo?

Tinha aula uma hora antes do exame e, portanto, ia levar o carro para a APEC, em Chelas.  A meio da aula, o meu instrutor recebe um telefonema e diz-me que a minha colega veio ter  à escola, em vez de ir directamente para o centro de exames. Voltámos atrás para a apanhar. Foi aí que tive uns minutos a sós comigo mesma, com as mãos ainda no volante, enquanto o meu instrutor foi lá dentro procurá-la. Senti uma tremenda vontade de chorar e acreditem que não era de nervos, pois não estava assim tão nervosa quanto isso. Muito sinceramente, nem eu sei muito bem porquê. A verdade é que não contei a muita gente do exame e as poucas pessoas que sabiam contactaram-me antes da aula, dizendo apenas que estavam ali para mim. Naquele momento, sozinha no carro, sentia-as comigo e sabia que estavam a torcer por mim... possivelmente, era eu que não estava do meu lado. 

No fim do exame, troquei de lugar com o meu instrutor, ficando eu e a minha colega no banco de trás. Ao saber que reprovei, os seus olhos disseram-me “Tenho muita pena”, enquanto me dava uma festinha na mão. Eu sentia-me tranquila e retribuí-lhe com um sorriso. É fascinante como nas situações mais adversas, dois seres humanos que não se conhecem de parte nenhuma conseguem sentir tanta empatia um pelo outro.
A examinadora falou comigo, dizendo:
- Lamento muito, mas olhe aposte na formação e eu espero voltar a vê-la. 
- Não se preocupe, voltarei muito em breve – respondi, rindo-me. 
Não posso dizer que foi um dia mau, pois já sabia o que me esperava. À porta do centro, achei que estava na altura de contar ao “mundo” o resultado. Toda a gente me perguntou, em tom de preocupação: “Mas estás bem?” Sim, estou bem. Por incrível que pareça, naquele momento sentia-me tranquila e preenchida.

É uma questão de tempo. Daqui a nada, já estou a dar uma voltinha de carro com o Bradley. Vá, não precisam de abanar a cabeça, foi só um desabafo. 

2 comentários:

  1. R: Não sei mesmo mas provavelmente é esse :p
    Para a proxima irá correr melhor! E vais andar por aí a passear de carro eheh

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  2. é preciso saber o que melhorar para conseguir avançar. Se o carro avariar e nao se souber o problema ele nao vai andar para a frente :D Siga a marinha, e qq dia já fazes formula 1 :P

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"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

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