Bradley Cooper
Há certos dias que nos ficam na memória e o dia em que reprovei no exame de condução será certamente um deles.
Poderia dizer bichos e lagartos da examinadora, mas não, tive mesmo uma sorte dos diabos quanto a isso. Antes de iniciarmos a marcha, até nos disse: “Se tiverem alguma dúvida, digam”. Pois, eu sei que por norma eles não costumam ser assim tão simpáticos.
O percurso que me calhou também não foi nada de extraordinário, ou seja, tinha tudo para dar certo. Estava tudo bem... menos a minha mente. Lá no meu íntimo sabia que não ia conseguir, nem me sentia muito confiante. Mesmo assim, resolvi tentar e arriscar, porque afinal não ia marcar aulas extras para sempre, certo?
Tinha aula uma hora antes do exame e, portanto, ia levar o carro para a APEC, em Chelas. A meio da aula, o meu instrutor recebe um telefonema e diz-me que a minha colega veio ter à escola, em vez de ir directamente para o centro de exames. Voltámos atrás para a apanhar. Foi aí que tive uns minutos a sós comigo mesma, com as mãos ainda no volante, enquanto o meu instrutor foi lá dentro procurá-la. Senti uma tremenda vontade de chorar e acreditem que não era de nervos, pois não estava assim tão nervosa quanto isso. Muito sinceramente, nem eu sei muito bem porquê. A verdade é que não contei a muita gente do exame e as poucas pessoas que sabiam contactaram-me antes da aula, dizendo apenas que estavam ali para mim. Naquele momento, sozinha no carro, sentia-as comigo e sabia que estavam a torcer por mim... possivelmente, era eu que não estava do meu lado.
No fim do exame, troquei de lugar com o meu instrutor, ficando eu e a minha colega no banco de trás. Ao saber que reprovei, os seus olhos disseram-me “Tenho muita pena”, enquanto me dava uma festinha na mão. Eu sentia-me tranquila e retribuí-lhe com um sorriso. É fascinante como nas situações mais adversas, dois seres humanos que não se conhecem de parte nenhuma conseguem sentir tanta empatia um pelo outro.
A examinadora falou comigo, dizendo:
- Lamento muito, mas olhe aposte na formação e eu espero voltar a vê-la.
- Não se preocupe, voltarei muito em breve – respondi, rindo-me.
Não posso dizer que foi um dia mau, pois já sabia o que me esperava. À porta do centro, achei que estava na altura de contar ao “mundo” o resultado. Toda a gente me perguntou, em tom de preocupação: “Mas estás bem?” Sim, estou bem. Por incrível que pareça, naquele momento sentia-me tranquila e preenchida.
É uma questão de tempo. Daqui a nada, já estou a dar uma voltinha de carro com o Bradley. Vá, não precisam de abanar a cabeça, foi só um desabafo.


R: Não sei mesmo mas provavelmente é esse :p
ResponderEliminarPara a proxima irá correr melhor! E vais andar por aí a passear de carro eheh
é preciso saber o que melhorar para conseguir avançar. Se o carro avariar e nao se souber o problema ele nao vai andar para a frente :D Siga a marinha, e qq dia já fazes formula 1 :P
ResponderEliminar