25/05/15

Peripécias no aeroporto # 3

Ontem foi um daqueles dias em que nem sequer devia ter saído de casa, sabem? Trabalhava com a L., que está há pouco mais de uma semana na loja, e eu repunha uns artigos em falta na montra da prata. De repente, o telefone toca. Temos um no armazém cuja extensão dá directamente para a loja. De qualquer modo, naquele momento, pensei para mim: "Hum... encomenda não é de certeza, hoje é domingo..."  A L. atendeu e eu continuei com o nariz enfiado na montra. 
- Sim?
- Estou a ligar por causa da alfândega.
- A... sim?
- Tenho aqui um casaco perdido na porta 16.
- Pois, é engano, isto aqui é uma loja de artesanato. 
Passado um minuto, voltam a ligar e a L. chama-me. Eu, com o meu mau humor, vou a praguejar entre os dentes "Fogo, uma pessoa não pode trabalhar em paz, não percebem que isto não é a alfândega?" Pego no telefone e atendo de forma abrupta:
- Estou?! 
A L. olha para mim, erguendo as sobrancelhas de espanto.
- Tenho aqui um casac..
- É engano. 
E pousei o auscultador com cara de poucos amigos. A L. desmancha-se a rir e eu voltei para a montra. Passado umas horas, já bem mais calma, pergunto-lhe:
- Eh pá... achas que fui muito rude ao telefone?
Ela ri-se e responde:
- Não, foste fantástica. 
É uma querida.

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"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

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