13/11/15

The Best or Nothing


Há um saxofonista que admiro bastante e costumo até partilhar de vez em quando os seus vídeos na página de Facebook do cantinho. Justin Ward é o seu nome e digo-vos o jovem é fabuloso... claro que há outros saxofonistas pelo youtube mas este é, de longe, o meu preferido. Uma das suas particularidades é que ele costuma também tocar nas ruas, para os transeuntes alheios. A maior parte passa por ele indiferente, outros filmam com os telemóveis e depois há uns quantos que até prestam atenção. O facto é que o Justin continua sempre a tocar, com paixão. 

Moral da história: se forem realmente bons naquilo que gostam, a coisa muda de figura e é também gratificante ver como os outros sentem a vossa dedicação. Até há pouco tempo, sentia sempre algum medo em relação à escrita. Eu que sempre adorei escrever - mesmo quando ainda nem o sabia! sentia-me feliz a fazer relvinhas nas folhas e imaginava como seria quando os rabiscos se tornassem letras - tive as minhas dúvidas. Sempre que fazia algum curso de escrita criativa, no fundo do meu cérebro, julgava que a qualquer momento a formadora diria: "Pois... se calhar não tens assim tanto jeito com as palavras." Como é óbvio, não foi nada disto que aconteceu. 

Não é fácil revelar estas inseguranças. O mundo, muitas vezes, torna-se demasiado merdoso e há pessoas que adoram espezinhar as fraquezas dos outros  só porque sim (especialmente no mundo virtual). No entanto, nem todas... há outras que são o exacto oposto e são essas que fazem com que tudo valha a pena. Com a correria do dia-a-dia, com o cansaço e a falta de tempo torna-se complicado fazer aquilo que mais gostamos (complicado, mas não impossível, certo?). Alguém se identifica? No meu caso, nestes últimos tempos, não tinha escrito nada de nada. Nem uma linha. Tinha consciência disso, mas só me apercebi do impacto que isso teve em mim ontem. Sentia-me miserável e exausta, mas com mil e uma ideias a boiarem-me na mente. As ideias reprimidas, adiadas. Porque fazer o almoço é mais prioritário. Porque lavar a farda é mais urgente. 

Decidi que não podia continuar assim. Pus mãos à obra e estou neste momento a escrever-vos. E ainda quero trabalhar no meu livro. Lembrei-me então do lema da Mercedes: the Best or Nothing. O Melhor ou Nada. Se é algo que gostamos e queremos, toca a trabalhar. Senão, esquece. Há apenas uma coisa que muitas vezes tenho de me relembrar, sobretudo nos tempos mais difíceis: ninguém se torna no melhor num estalar de dedos. Por mais difícil que seja, faz parte do processo. Enquanto for um objectivo, um sonho que valha a pena lutar.

E a vocês? O que vos preenche? O que vos deixa com um sorriso no rosto? Vale tudo. Até um banho de imersão :-) Vá, contem-me! 

8 comentários:

  1. Sem dúvida que escrever e ver o meu primo sorrir :)

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  2. O que me preenche?, certamente é a leitura, sim gosto de escrever, gosto de me expressar, mas ler é algo me cativa,seja livros, seja o que outras pessoas como eu escrevem, gosto de ler algo que me fique na memória :)

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  3. A própria rotina que temos que estabelecer obriga-nos a alterar as prioridades e acabamos por deixar de parte aquelas coisas que nos fazem tão bem.
    Sem dúvida que escrever é algo que me preenche, assim como ler e fotografar.

    r: É bom ler isso :)

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  4. Muito obrigado minha linda :D Acho que todos passamos um pouco por essa fase... Em que queremos tudo e não sabemos usar nada :P

    <3

    Bem, esta é uma pergunta complicada... Preenche-me a minha família, estudar e o blog!!! Sem dúvida que estas são as 3 coisas pelas quais mais luto :)

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    InstagramFacebook Oficial PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  5. Adoro escrever, adoro banhos de imersão (aconselho, particularmente, os produtos da Lush), adoro compras, adoro ler, adoro viajar, adoro o meu trabalho... mas aquilo que me preenche mesmo é passar tempo de qualidade com as "minhas pessoas" (=

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  6. Para ser sincera, escrita, livros e cozinhar é o que me preenche. Mas tal como tu, não é fácil mostrarmos aquilo que gostamos quando temos todo um mundo a julgar-nos.
    Admiro-te por continuares a lutar... tanta gente desiste no caminho! Força com isso :P

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  7. Criar. Seja lá como for, criar completa-me e se fico muito tempo sem criar começo a bater mal, a sentir-me frustrada e deprimida!

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  8. fotografar, fazer exercício físico, passar tempo de qualidade com quem amo... é isso que me preenche :)

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"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

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