24/04/18

Tu



Na capital do país, a multidão aglomerava-se na plataforma à espera do metro. Caminhava em passos aleatórios e, por fim, parei à espera. De repente, olhei para o outro lado da linha e vi-te. Se não acreditasse no destino, depois disto teria de acreditar. Qual a probabilidade de parar mesmo à tua frente, depois de tantos anos sem te ver? Não tiravas os olhos do chão como, se de certa forma, estivesses a esconder o rosto. Eu, por outro lado, não conseguia desviar o olhar de ti. Deveria gritar pelo teu nome? Até o faria mas sentia a garganta presa. Só queria que levantasses a cabeça para ter a certeza que eras mesmo tu ao fim deste tempo todo. Aliás, conhecendo-te como conheço, com certeza já deste pela minha presença.

O meu metro chegou. Entrei e continuei a olhar pelo vidro. As portas fecharam e, quando estava prestes a arrancar, tu levantaste a cabeça e olhaste para mim. Senti que estavas a olhar através de mim, como se voltasse a ser a mesma rapariga de há 10 anos atrás. Queria-te esboçar um sorriso mas não conseguia de todo reagir. Finalmente o metro começou a andar, afastando-me de ti, mais uma vez. 

Seguíamos sentidos opostos, como de costume.  

1 comentário:

  1. O texto está maravilhoso, embora transmita uma certa tristeza e nostalgia.
    É incrível como conseguimos, com algumas pessoas, andar sempre em sentido oposto

    ResponderEliminar

Devaneios Lisboetas. Com tecnologia do Blogger.

Vamos devanear?

devaneioslisboetas@gmail.com

Acerca de mim

A minha foto
"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

Blogging.pt

Blog Portugal

A devanear comigo