05/06/18

1 mês e meio depois...


Estou de volta. Ou, pelo menos, vou tentar estar. Encontro-me bem de saúde, mas sei que não é esse o cerne da questão. Mais relevante ainda é o que tenho andado a fazer nestes últimos tempos. 

Bom, vamos por partes. Isto de dar aulas e de poder trabalhar com jovens e adolescentes ainda é novidade para mim. Estaria a mentir se dissesse que é uma maravilha diariamente. Não é bem assim, principalmente com os adolescentes que parece que não se interessam por nada e quando é para dar sugestões, tá' quieto. Para estudar, às vezes, é quase como se lhes pedissem para vender a alma ao diabo. Faz parte. O meu gosto musical baixou ligeiramente (noutro dia, dei por mim a ouvir uma música dos Anjos, misericórdia!) e o meu português também (euzinha já disse: "pede a ela para fazer isto" em vez do bem dito pronome: "pede-lhe"). 

Claro que há um lado bom nisto tudo, senão já teria entrado em colapso. A melhor parte é que muitas vezes vou para casa com o coração cheio. Ou cheio de tralhas de desenhos, origamis ou até rabiscos nos braços. De ver que, de certa forma, criei uma ligação com os miúdos (demorou 6 meses até que me dissessem: "Adeus, Catarina!", com direito ao meu nome e tudo!) ou que até gostam de estudar comigo e aprendem qualquer coisa. Entretanto, levei uma aluna a exame de mandarim que teve quase nota máxima - por 10 pontos! - e levantei algumas negativas. Eu, enquanto profissional, na área da educação não podia estar mais satisfeita.  Não, o mérito não foi meu. Foi deles, que se esfolam para caramba. Eu apenas aprendi técnicas de ensino e posso melhorar enquanto educadora. 

O lado mais díficil? É não ceder à sociedade. Porque, aos seus olhos, uma pessoa que larga trabalhos estáveis para se aventurar em outros de ordenado inferior é só louca.  Fiz uma escolha e eu sabia que ela tinha consequências. Se tenho saudades de esbanjar? Tenho, pois claro. De entrar numa loja e comprar n peças de roupa ou de esbanjar uma pequena centena em saltos de pára-quedas ou workshops (os meus amigos até diziam na brincadeira que eu era um banco chinês!) Tenho saudades sim. No entanto, também gosto de ir trabalhar feliz e até há uns tempos achava mesmo que isso não era possível. Pelo menos, não a longo prazo. 

E por aí, que têm feito? Como estão vocês? 

1 comentário:

  1. Claro que, em parte, era maravilhoso que todos os dias fossem fáceis e sem problemas. No entanto, são esses desafios que nos fazem crescer e perceber qual é o rumo que queremos dar à nossa vida.
    Uma mudança radical tem sempre implicações, porque há alterações inevitáveis, mas acredito que chegar a casa de coração cheio não tem preço :)

    Por este lado, continuo na minha luta em busca de emprego. Enquanto não colho os frutos, vou aproveitando para me dedicar à escrita e à leitura.
    É bom ter-te de volta :D

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"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

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