Há um saxofonista que admiro bastante e costumo até partilhar de vez em quando os seus vídeos na página de Facebook do cantinho. Justin Ward é o seu nome e digo-vos o jovem é fabuloso... claro que há outros saxofonistas pelo youtube mas este é, de longe, o meu preferido. Uma das suas particularidades é que ele costuma também tocar nas ruas, para os transeuntes alheios. A maior parte passa por ele indiferente, outros filmam com os telemóveis e depois há uns quantos que até prestam atenção. O facto é que o Justin continua sempre a tocar, com paixão.
Moral da história: se forem realmente bons naquilo que gostam, a coisa muda de figura e é também gratificante ver como os outros sentem a vossa dedicação. Até há pouco tempo, sentia sempre algum medo em relação à escrita. Eu que sempre adorei escrever - mesmo quando ainda nem o sabia! sentia-me feliz a fazer relvinhas nas folhas e imaginava como seria quando os rabiscos se tornassem letras - tive as minhas dúvidas. Sempre que fazia algum curso de escrita criativa, no fundo do meu cérebro, julgava que a qualquer momento a formadora diria: "Pois... se calhar não tens assim tanto jeito com as palavras." Como é óbvio, não foi nada disto que aconteceu.
Não é fácil revelar estas inseguranças. O mundo, muitas vezes, torna-se demasiado merdoso e há pessoas que adoram espezinhar as fraquezas dos outros só porque sim (especialmente no mundo virtual). No entanto, nem todas... há outras que são o exacto oposto e são essas que fazem com que tudo valha a pena. Com a correria do dia-a-dia, com o cansaço e a falta de tempo torna-se complicado fazer aquilo que mais gostamos (complicado, mas não impossível, certo?). Alguém se identifica? No meu caso, nestes últimos tempos, não tinha escrito nada de nada. Nem uma linha. Tinha consciência disso, mas só me apercebi do impacto que isso teve em mim ontem. Sentia-me miserável e exausta, mas com mil e uma ideias a boiarem-me na mente. As ideias reprimidas, adiadas. Porque fazer o almoço é mais prioritário. Porque lavar a farda é mais urgente.
Decidi que não podia continuar assim. Pus mãos à obra e estou neste momento a escrever-vos. E ainda quero trabalhar no meu livro. Lembrei-me então do lema da Mercedes: the Best or Nothing. O Melhor ou Nada. Se é algo que gostamos e queremos, toca a trabalhar. Senão, esquece. Há apenas uma coisa que muitas vezes tenho de me relembrar, sobretudo nos tempos mais difíceis: ninguém se torna no melhor num estalar de dedos. Por mais difícil que seja, faz parte do processo. Enquanto for um objectivo, um sonho que valha a pena lutar.
E a vocês? O que vos preenche? O que vos deixa com um sorriso no rosto? Vale tudo. Até um banho de imersão :-) Vá, contem-me!