07/05/15

Tempos de escola

                                                        Yvonne Strahovski 

No outro dia estive a dar uma explicação de francês e não pude deixar de sorrir com as perguntas que o meu aluno me fazia. 
Olhei para o caderno diário dele e lembrei-me dos meus tempos de escola em que apontava os sumários religiosamente (odiava perder um!) e guardava todas as fichas nas micas transparentes, chegando ao final do período com o dossier pesadíssimo. Uma das partes que menos gostava era de ter os testes assinados pelo Encarregado de Educação – o que sofria quando recebia uma negativa.
Passou-me então pela mente todos os professores que mais me marcaram, desde os melhores até aos piores. Na escola básica, tive uma das melhores professoras de Língua Portuguesa, dando-me excelentes bases de Gramática para a vida (sem exageros!). No ano lectivo seguinte, na mesma escola, a minha sorte mudou calhando-me um professor bastante incompetente, de cortar os pulsinhos mesmo. Foi assim em todo o lado, claro, até na Faculdade, se bem que aí era muito mais frustrante pois estava a pagar para ter uma boa formação e isso nem sempre acontecia.

O mais engraçado é que, não sei se são dos meus genes asiáticos, mas apesar da minha tenra idade era uma pessoa muito disciplinada. Por exemplo, no final do 9ºano tínhamos as provas globais de todas as disciplinas. TODAS. E eu tinha um pavor de chumbar, porque valiam 30% da nota e eu queria mesmo ir para o ensino secundário. O que é que a menina fez? Estudou até mais não. Deitava-me à meia noite, levando os manuais para a cama se fosse preciso e, na manhã seguinte, acordava as seis da manhã – uma hora antes - para rever tudo. Resultado: passei a todas (até a Físico-Química), menos a uma... educação física. Pois, uma chinesa bastante genuína, hã? Que sempre foi má nesta disciplina ( lá se foram os Jogos Olímpicos) e a matemática então... é melhor nem comentar. 

Perguntas como: "Os exames são muito difíceis?" ou "Como é a Faculdade?" são bastante normais, também as fiz há uns anos atrás. Depois da explicação, pensei seriamente no sistema de ensino que temos. "Ah, não essa matéria não vale a pena estudar, não sai no teste". No teste. Admito que também disse isso quando estudava mas agora penso... até que ponto eu sabia as coisas? 

Estaria a mentir se dissesse que sinto saudades dos tempos da escola, prefiro mil vezes mais o agora (os tempos da Faculdade já é assunto para outro post). Sim, mesmo com todos os problemas e as chatices que às vezes temos de lidar. No entanto toda aquela pressão da escola faz parte, penso eu. 

03/05/15

Orphan Black

Dylan Bruce, Tatiana Maslany e Jordan Gavaris

Quando era mais nova adorava ver inúmeras séries televisivas, mas confesso que fui perdendo a paciência. Primeiro, porque tinha de esperar um ano para saber o que ia acontecer a seguir - até lá já me tinha esquecido de muitos pormenores - depois porque, em geral, as temporadas iam ficando cada vez piores... até deixar de fazer sentido. 

A morte do Derek Shepard da Anatomia de Grey foi notícia por aí. Esta era uma das séries que via inicialmente mas depois acabei por desligar. O facto de ter percebido também que a Shonda Rhimes adora matar personagens não ajudou muito. 
Lembro-me de ver alguns episódios com a M. quando andávamos no liceu. Sempre que os médicos pediam uma lâmina dez para abrir o paciente, eu só dizia: "Ai que horror, M. muda de canal, por favor tira!" Ela revirava os olhos e abanava a cabeça de reprovação, enquanto pegava no comando. 

De momento, sigo apenas duas séries: Once upon a time e Orphan Black. A primeira sigo religiosamente e conquistou-me desde o primeiríssimo episódio. A segunda comecei a ver há pouco tempo e também me deixou rendida. Tiro o chapéu à Tatiana Maslany, não deve ser nada fácil ser 9 pessoas diferentes. E para quem vê a série, a Cosima é a mais gira de todas, é ou não é verdade? :)

E por aí, que séries gostam de ver? :)

02/05/15

Ui a gula!

                                                     Alessandra Ambrosio

Até há poucos anos, achava que comer era uma perda de tempo, que era apenas uma necessidade, a menos que quisesse cair para o lado. Se houvessem comprimidos que contivessem todos os nutrientes necessários ao ser humano, substituindo as refeições, para mim isso seria o paraíso. Até mesmo quando era criança, detestava comer e demorava uma hora ou mais à mesa. 

À medida que os anos foram passando, isso mudou. Rendi-me à magia da culinária: de cortar os legumes frescos, de ouvir o crepitar de um bom refogado na frigideira, de sentir diferentes sabores. E a melhor parte de cozinhar é comer! Às vezes, quando saio do trabalho dou por mim a pensar com muito carinho nos bitoques da Portugália, com aquele molho para lá de divinal e batatas fritas. É o que dá almoçar às 10 e tal da manhã. Quatro horas depois já estamos a sonhar com comida, outra vez. 

Agora estou virada para o arroz doce. Sempre foi uma das minhas sobremesas preferidas e há dias em que dou por mim a comprar uma tacinha no aeoporto. Tinha visto no blog da Joana Roque - é só o meu blog de culinária preferido - uma alternativa ao arroz doce: com papas de aveia. Basicamente é levar tudo ao microondas - açúcar, canela, casca de limão, leite e aveia - e mexer. Hoje foi o dia de pôr isso em prática: Pus os ingredientes todos numa tigela, tapei com um pratinho, não vá estoirar a Terceira Guerra Mundial dentro do microondas e aqueci. Assim que levantei o prato, deliciei-me com o cheiro da canela e o limão. 
A melhor parte é que a aveia sacia bastante, ou seja, o espaço para petiscar desapareceu. 

E assim se torna numa pessoa mega saudável, hã? Cof... cof :)

26/04/15

Dia do pai todo o ano

                                           James Hetfield (Metallica) e a filha

Há uns dias atrás, trabalhava com a I. (como de costume) e assustei-me ao olhar para a mão dela. 
- Que te aconteceu ao dedo?
Vi que tinha uma unha negra. 
- Ah, não te contei? Entalei-me no carro, nem sei como... ainda por cima foi a mão esquerda - responde, desmanchando-se a rir. 
- Mas estás bem? Deve ter doído horrores...
- Sim, estou bem. 
Sei a dor que ela passou porque também já me aconteceu o mesmo há dez anos atrás. Eu e o meu pai fomos lavar o carro - saudades do meu Mercedes 190D- levámos baldes com água, panos e mãos à obra. A verdade é que aconteceu tudo bastante rápido: acabava de passar o pano junto à porta quando o meu pai, sem reparar, fechou-a com força. Já não fui a tempo de encolher a mão e senti que tinha entalado o dedo. De imediato, desatei a chorar com a mão magoada junto ao peito. O meu pai só repetia:
- Deixa-me ver. 
Lavada em lágrimas, ouvi-o dizer:
- Oh... ficaste com uma nódoa negra. 
Só aí é que olhei para a minha mão e vi que tinha uma das unhas toda negra. 
Continuava a soluçar e o meu pai abriu a porta de trás para nos sentarmos.
- Temos de manter a tua mão quente - recomendou ele, enquanto a colocava por baixo do casaco que ele trazia vestido - Tenho ali um sumo no tablier, queres?
Perfurou o pacote com a palhinha e deu-mo. Não sei se foi algum segredo chinês milagroso, mas a verdade é que minutos depois estava bem mais calma. O açúcar e o facto de ter a mão quente, junto às costelas dele acabou por atenuar a dor. 

Recordo este episódio com um sorriso no rosto, porque ele será sempre um pilar para mim. Olho para trás e vejo que ele já passou por tanto: uma ditadura chinesa - presumo que já tenham ouvido do Mao - além do facto de ter emigrado para dois países diferentes, sendo um deles, Portugal. Era professor na China e cá fora teve de se fazer à vida, tornando-se cozinheiro. E aqui está um pormenorzinho: ele não sabia cozinhar... nem sequer como cozer arroz. Ainda assim, vingou na vida, começando como um mero empregado até ser patrão, abrindo o seu próprio restaurante. Em dois países diferentes. Foi em Praga que senti na pele o que é estar num país diferente, cuja língua não falamos nem compreendemos nada à nossa volta e ainda assim fazermos as nossas vidas. 

Gosto de pensar que herdei o seu espírito trabalhador e lutador. Agora chegou a minha vez de cuidar dele. Ainda me lembro de o ajudar a pintar o cabelo, até que um dia ele se fartou e disse: "- Vou deixá-lo todo branco, como o Clinton!". Ano após ano, a sua saúde vai piorando ligeiramente... e fico sempre com o coração nas mãos. 
No entanto, todos os dias uso tudo aquilo que ele me ensinou e zelo por ele, como um anjinho da guarda. 

24/04/15

Shopping Time!

Confessions of a Shoppaholic (2009)

Ao crescermos, acabamos por relativizar um pouco os bens materiais. Lembro-me que quando era mais nova era muito importante ter uns ténis iguais aos dos meus amigos ou um telemóvel xpto (na altura, por xpto entendia-se pelos Nokia 3310, lembram-se?). Agora, na fase adulta acabo por me sentir mais tranquila, por assim dizer. Costumo sempre fazer uma lista quando vou às compras, porque parecendo que não, faz com que não me "disperse", ou seja, que não compre coisas desnecessárias. Com a roupa, a mesma coisa. Antes de comprar mais, organizo o roupeiro, vejo o que preciso e o que posso doar. 

Há uns dias fiz uma listinha com alguns artigos e enfiei-me no Vasco da Gama com uns amigos que vieram do Algarve. Primeiro, adorei ver a expressão de um deles ao olhar para o centro comercial, pois parecia uma criança que aterrou na Disneylândia. De seguida, fiquei supreendida com a minha rapidez no que diz respeito às compras. De facto, sabia o que queria. Uma das coisas que estava na lista era um par de ténis para correr e não estivémos na SportZone durante mais de 10 minutos. Já os tinha visto no site, por isso foi: entrar, procurar, experimentar e ir para a caixa. Em contrapartida, quando acabo de pagar, oiço isto:
- Não devíamos ter vindo aqui, a culpa foi tua! - disse o A. com uns óculos de sol giríssimos na mão. 

Com isto, fiquei a pensar na importância que cada objecto tem para cada um de nós. Se gostava de ter um telemóvel mais actualizado? Não me importaria. Se gostava de ter um Mercedes? Eh pá... não seria de todo mal pensado. Mas, muito sinceramente, não sei até que ponto me iria sentir preenchida com tudo isso. 

Como diz a expressão: "Às vezes, menos é mais" :-)

Pequenos prazeres

Devorar um Magnum de amêndoas, assim que saio do trabalho. É que me soube mesmo pela vida. É provável que tenha de parar de comprar chocolates quando vou ao supermercado. Hoje para cúmulo, quando eu e a minha colega descobrimos numa das gavetas da loja uma tablete de chocolate parcialmente comida... foi mais forte do que eu e tive de roubar um quadradinho. (vá, eu sabia de quem era a tablete e não entrava vivalma na loja)

Eu sei, qualquer dia viro diabética ou algo do género. 

22/04/15

Peripécias no aeroporto # 2

Era um daqueles dias em que andávamos sempre sem moedas na caixa e os clientes resolveram pagar tudo com notas grandes. Percorremos o aeroporto várias vezes para pedir trocos às outras lojas. A I. sugere ir trocar o saquinho com moedas de 0,20 cêntimos e eu assenti. Ela estendeu-me o saco e, eu no meu desespero - tínhamos ainda alguns clientes na loja mas nem UMA moeda de 1 euro - fui a correr para a loja do lado trocá-las. De repente, só oiço um tilintar de moedas a espalhar-se pelo chão. Ainda boquiaberta, olho para a loja e vejo a I. a morrer de riso atrás do balcão.

Foi aqui que a natureza humana resolveu mostrar o seu lado mais brilhante: de imediato, várias pessoas à minha volta baixaram-se para apanhar o dinheiro e, de seguida, dirigiram-se a mim, colocando a moeda na minha mão, divertidos com a situação. Muitas delas, nem português falavam. Reparem que eram 10 euros em moedinhas e metade do saco andava pelo chão. 

De volta à loja com o dinheiro trocado, olho para a I. ainda com os olhos brilhantes de tanto rir e pergunto:
- Tu deixaste o saco aberto?
- Eu pensava que tu sabias... 
Desmachámo-nos as duas a rir. 
Devaneios Lisboetas. Com tecnologia do Blogger.

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"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

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