17/05/15

A devanear nas férias

Praia das Maçãs, Sintra 

Diz que o Benfica é campeão e que as ruas estão um caos. Por aqui aproveitou-se o último dia de férias. Praia, passeios, boa comida e companhia. Deu para descansar a cabeça e apreciar as pequenas coisas da vida... mesmo pequenas. Como saborear uma néspera acabadinha de puxar da árvore - nunca pensei que fossem tão doces - enquanto o sol de final de tarde me batia no rosto. Ou a sensação de ficar saciada, e feliz após uma fome daquelas... que até fazem o estômago roncar, sabem? Ou ainda de sentir o corpo exausto e acordar refrescada na manhã seguinte após uma bela noite de sono.

São estas pequenas coisas que me fazem sorrir :-)

13/05/15

Dos bons livros

O gosto pela leitura surgiu com os livros de "Uma Aventura.,." e lembro-me que na primária adorava quando a professora me pedia para ler os textos. Já na adolescência (quase adulta, vá), as férias de Verão eram passadas na companhia do Poirot, do Harry Potter, do Robert Langdon, da Kitty Fane. 

Andei durante semanas sem ler nada e, confesso que já me estava a sentir estranha, pois precisava de um pedacinho de ficção no meu dia-a-dia até que encontrei um livro que me está a cativar bastante. Ao ponto de o ler sem dar conta das horas passarem, ou pegar nele de manhãzinha, com a barriga ainda em jejum, sabem? "O 11º Mandamento", do Daniel Sá Nogueira. Está a ser melhor do que eu esperava. 

11/05/15

Trafulhices minhas

Para começar as férias em grande, tinha de me acontecer algo pouco... usual. Bom, estava a je quase à porta do dentista, ainda a acabar de descer as escadas quando por obra de sabe-se-lá-o-quê dou um mau jeito com o pé que por pouco não me deixa espalhada no chão. Claro que a coisa podia ficar por aqui, fingia que não se passava nada e pronto, mas não. Quando vou a abrir a porta da clínica dou um empurrão à maldita, fazendo um barulho que pôs todos os olhares- logo hoje que a sala de espera estava cheia - sobre mim.

O pior é que estava escrito "Puxe" na porta em letras garrafais. 

07/05/15

Tempos de escola

                                                        Yvonne Strahovski 

No outro dia estive a dar uma explicação de francês e não pude deixar de sorrir com as perguntas que o meu aluno me fazia. 
Olhei para o caderno diário dele e lembrei-me dos meus tempos de escola em que apontava os sumários religiosamente (odiava perder um!) e guardava todas as fichas nas micas transparentes, chegando ao final do período com o dossier pesadíssimo. Uma das partes que menos gostava era de ter os testes assinados pelo Encarregado de Educação – o que sofria quando recebia uma negativa.
Passou-me então pela mente todos os professores que mais me marcaram, desde os melhores até aos piores. Na escola básica, tive uma das melhores professoras de Língua Portuguesa, dando-me excelentes bases de Gramática para a vida (sem exageros!). No ano lectivo seguinte, na mesma escola, a minha sorte mudou calhando-me um professor bastante incompetente, de cortar os pulsinhos mesmo. Foi assim em todo o lado, claro, até na Faculdade, se bem que aí era muito mais frustrante pois estava a pagar para ter uma boa formação e isso nem sempre acontecia.

O mais engraçado é que, não sei se são dos meus genes asiáticos, mas apesar da minha tenra idade era uma pessoa muito disciplinada. Por exemplo, no final do 9ºano tínhamos as provas globais de todas as disciplinas. TODAS. E eu tinha um pavor de chumbar, porque valiam 30% da nota e eu queria mesmo ir para o ensino secundário. O que é que a menina fez? Estudou até mais não. Deitava-me à meia noite, levando os manuais para a cama se fosse preciso e, na manhã seguinte, acordava as seis da manhã – uma hora antes - para rever tudo. Resultado: passei a todas (até a Físico-Química), menos a uma... educação física. Pois, uma chinesa bastante genuína, hã? Que sempre foi má nesta disciplina ( lá se foram os Jogos Olímpicos) e a matemática então... é melhor nem comentar. 

Perguntas como: "Os exames são muito difíceis?" ou "Como é a Faculdade?" são bastante normais, também as fiz há uns anos atrás. Depois da explicação, pensei seriamente no sistema de ensino que temos. "Ah, não essa matéria não vale a pena estudar, não sai no teste". No teste. Admito que também disse isso quando estudava mas agora penso... até que ponto eu sabia as coisas? 

Estaria a mentir se dissesse que sinto saudades dos tempos da escola, prefiro mil vezes mais o agora (os tempos da Faculdade já é assunto para outro post). Sim, mesmo com todos os problemas e as chatices que às vezes temos de lidar. No entanto toda aquela pressão da escola faz parte, penso eu. 

03/05/15

Orphan Black

Dylan Bruce, Tatiana Maslany e Jordan Gavaris

Quando era mais nova adorava ver inúmeras séries televisivas, mas confesso que fui perdendo a paciência. Primeiro, porque tinha de esperar um ano para saber o que ia acontecer a seguir - até lá já me tinha esquecido de muitos pormenores - depois porque, em geral, as temporadas iam ficando cada vez piores... até deixar de fazer sentido. 

A morte do Derek Shepard da Anatomia de Grey foi notícia por aí. Esta era uma das séries que via inicialmente mas depois acabei por desligar. O facto de ter percebido também que a Shonda Rhimes adora matar personagens não ajudou muito. 
Lembro-me de ver alguns episódios com a M. quando andávamos no liceu. Sempre que os médicos pediam uma lâmina dez para abrir o paciente, eu só dizia: "Ai que horror, M. muda de canal, por favor tira!" Ela revirava os olhos e abanava a cabeça de reprovação, enquanto pegava no comando. 

De momento, sigo apenas duas séries: Once upon a time e Orphan Black. A primeira sigo religiosamente e conquistou-me desde o primeiríssimo episódio. A segunda comecei a ver há pouco tempo e também me deixou rendida. Tiro o chapéu à Tatiana Maslany, não deve ser nada fácil ser 9 pessoas diferentes. E para quem vê a série, a Cosima é a mais gira de todas, é ou não é verdade? :)

E por aí, que séries gostam de ver? :)

02/05/15

Ui a gula!

                                                     Alessandra Ambrosio

Até há poucos anos, achava que comer era uma perda de tempo, que era apenas uma necessidade, a menos que quisesse cair para o lado. Se houvessem comprimidos que contivessem todos os nutrientes necessários ao ser humano, substituindo as refeições, para mim isso seria o paraíso. Até mesmo quando era criança, detestava comer e demorava uma hora ou mais à mesa. 

À medida que os anos foram passando, isso mudou. Rendi-me à magia da culinária: de cortar os legumes frescos, de ouvir o crepitar de um bom refogado na frigideira, de sentir diferentes sabores. E a melhor parte de cozinhar é comer! Às vezes, quando saio do trabalho dou por mim a pensar com muito carinho nos bitoques da Portugália, com aquele molho para lá de divinal e batatas fritas. É o que dá almoçar às 10 e tal da manhã. Quatro horas depois já estamos a sonhar com comida, outra vez. 

Agora estou virada para o arroz doce. Sempre foi uma das minhas sobremesas preferidas e há dias em que dou por mim a comprar uma tacinha no aeoporto. Tinha visto no blog da Joana Roque - é só o meu blog de culinária preferido - uma alternativa ao arroz doce: com papas de aveia. Basicamente é levar tudo ao microondas - açúcar, canela, casca de limão, leite e aveia - e mexer. Hoje foi o dia de pôr isso em prática: Pus os ingredientes todos numa tigela, tapei com um pratinho, não vá estoirar a Terceira Guerra Mundial dentro do microondas e aqueci. Assim que levantei o prato, deliciei-me com o cheiro da canela e o limão. 
A melhor parte é que a aveia sacia bastante, ou seja, o espaço para petiscar desapareceu. 

E assim se torna numa pessoa mega saudável, hã? Cof... cof :)

26/04/15

Dia do pai todo o ano

                                           James Hetfield (Metallica) e a filha

Há uns dias atrás, trabalhava com a I. (como de costume) e assustei-me ao olhar para a mão dela. 
- Que te aconteceu ao dedo?
Vi que tinha uma unha negra. 
- Ah, não te contei? Entalei-me no carro, nem sei como... ainda por cima foi a mão esquerda - responde, desmanchando-se a rir. 
- Mas estás bem? Deve ter doído horrores...
- Sim, estou bem. 
Sei a dor que ela passou porque também já me aconteceu o mesmo há dez anos atrás. Eu e o meu pai fomos lavar o carro - saudades do meu Mercedes 190D- levámos baldes com água, panos e mãos à obra. A verdade é que aconteceu tudo bastante rápido: acabava de passar o pano junto à porta quando o meu pai, sem reparar, fechou-a com força. Já não fui a tempo de encolher a mão e senti que tinha entalado o dedo. De imediato, desatei a chorar com a mão magoada junto ao peito. O meu pai só repetia:
- Deixa-me ver. 
Lavada em lágrimas, ouvi-o dizer:
- Oh... ficaste com uma nódoa negra. 
Só aí é que olhei para a minha mão e vi que tinha uma das unhas toda negra. 
Continuava a soluçar e o meu pai abriu a porta de trás para nos sentarmos.
- Temos de manter a tua mão quente - recomendou ele, enquanto a colocava por baixo do casaco que ele trazia vestido - Tenho ali um sumo no tablier, queres?
Perfurou o pacote com a palhinha e deu-mo. Não sei se foi algum segredo chinês milagroso, mas a verdade é que minutos depois estava bem mais calma. O açúcar e o facto de ter a mão quente, junto às costelas dele acabou por atenuar a dor. 

Recordo este episódio com um sorriso no rosto, porque ele será sempre um pilar para mim. Olho para trás e vejo que ele já passou por tanto: uma ditadura chinesa - presumo que já tenham ouvido do Mao - além do facto de ter emigrado para dois países diferentes, sendo um deles, Portugal. Era professor na China e cá fora teve de se fazer à vida, tornando-se cozinheiro. E aqui está um pormenorzinho: ele não sabia cozinhar... nem sequer como cozer arroz. Ainda assim, vingou na vida, começando como um mero empregado até ser patrão, abrindo o seu próprio restaurante. Em dois países diferentes. Foi em Praga que senti na pele o que é estar num país diferente, cuja língua não falamos nem compreendemos nada à nossa volta e ainda assim fazermos as nossas vidas. 

Gosto de pensar que herdei o seu espírito trabalhador e lutador. Agora chegou a minha vez de cuidar dele. Ainda me lembro de o ajudar a pintar o cabelo, até que um dia ele se fartou e disse: "- Vou deixá-lo todo branco, como o Clinton!". Ano após ano, a sua saúde vai piorando ligeiramente... e fico sempre com o coração nas mãos. 
No entanto, todos os dias uso tudo aquilo que ele me ensinou e zelo por ele, como um anjinho da guarda. 
Devaneios Lisboetas. Com tecnologia do Blogger.

Vamos devanear?

devaneioslisboetas@gmail.com

Acerca de mim

A minha foto
"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

Blogging.pt

Blog Portugal

A devanear comigo