25/05/15

Peripécias no aeroporto # 3

Ontem foi um daqueles dias em que nem sequer devia ter saído de casa, sabem? Trabalhava com a L., que está há pouco mais de uma semana na loja, e eu repunha uns artigos em falta na montra da prata. De repente, o telefone toca. Temos um no armazém cuja extensão dá directamente para a loja. De qualquer modo, naquele momento, pensei para mim: "Hum... encomenda não é de certeza, hoje é domingo..."  A L. atendeu e eu continuei com o nariz enfiado na montra. 
- Sim?
- Estou a ligar por causa da alfândega.
- A... sim?
- Tenho aqui um casaco perdido na porta 16.
- Pois, é engano, isto aqui é uma loja de artesanato. 
Passado um minuto, voltam a ligar e a L. chama-me. Eu, com o meu mau humor, vou a praguejar entre os dentes "Fogo, uma pessoa não pode trabalhar em paz, não percebem que isto não é a alfândega?" Pego no telefone e atendo de forma abrupta:
- Estou?! 
A L. olha para mim, erguendo as sobrancelhas de espanto.
- Tenho aqui um casac..
- É engano. 
E pousei o auscultador com cara de poucos amigos. A L. desmancha-se a rir e eu voltei para a montra. Passado umas horas, já bem mais calma, pergunto-lhe:
- Eh pá... achas que fui muito rude ao telefone?
Ela ri-se e responde:
- Não, foste fantástica. 
É uma querida.

24/05/15

Desenvolvimento... quê?

Sempre olhei para os livros de desenvolvimento pessoal com desdém, passavam-me completamente ao lado nas livrarias, ia directamente para a área da ficção. Aliás, desenvolvimento pessoal eram duas palavras que eu associava aos tempos de escolinha, de descobrirmos a nossa identidade, de apostarmos em nós, blá blá blá...
No entanto, tinha um problema em mãos: não sabia o que queria fazer da vida. Uma questão que afecta muita gente, mais do que aquilo que imaginava. Tinha eu 21 anos e andava nesse mar de incerteza. Passou mais um ano e continuava a bater na mesma tecla, até que me veio parar às mãos um livro de desenvolvimento pessoal do Daniel Sá-Nogueira. Qual não foi o meu espanto quando até me identifiquei com aquilo, pensei: "Eh pá, o homem até parece saber do que fala..." Uma nova palavra entrou no meu vocabulário: Coaching. Podia dizer agora que foi o livro que me salvou e vivi feliz para sempre, mas não. 

Um grande amigo meu recomendou-me a Joana Areias, fundadora do  Life Purpose Coaching System. Ao início, fiquei céptica, mas depois decidi arriscar, pois até quando é que iria continuar desorientada a nível profissional? Afinal de contas, vi que ela é especializada em ajudar pessoas na minha situação. Três meses depois, muita coisa mudou e o manto de nevoeiro foi-se dissipando lentamente. Bom, ainda não descobri o que quero, mas estou bem mais perto. Percebi o que é que gosto realmente de fazer (só de pensar que a resposta esteve desde sempre à frente do meu nariz) e estou a fazê-lo neste exacto momento: escrever. Faltava-me apenas acreditar nisso.

Eu também mudei. Sem dúvida que já não sou a mesma pessoa de há um ano atrás, mesmo neste último meio ano senti que o meu espírito despertou e andei muito mais consciente de tudo. Andava sedenta pelo conhecimento, aprendi coisas diferentes e quanto mais aprendia, mais queria saber. Voltei a pintar, tornei-me mais dinâmica e as pessoas à minha volta também notaram que eu estava diferente. Ficaram com a pulguinha atrás da orelha e perguntaram-me o que é que eu andava a fazer, como é que funcionava isso do coaching. Sim, a melhor parte disto tudo foi tê-los sempre a meu lado. Sempre. 

Com isto tudo, não estou a dizer que a minha vida se tornou cor-de-rosa, cheia de arcos-irís e póneis. Os dias cinzentos e chuvosos também existem, mas aprendi a lidar com eles de maneira diferente, ou pelo menos, da melhor maneira possível. E de passinho a passinho vou descobrindo mais todos os dias.

Obrigada a ti, Joaninha. 

22/05/15

A história da gaivota e das galinhas

Era uma vez um ovo de gaivota que rolou para uma capoeira de galinhas. E, assim que a gaivota nasceu, olhou à sua volta e só viu galinhas. Achando que era uma delas, cresceu a imitá-las, mas sempre se sentiu diferente e algo desajeitada. Certo dia, a gaivota olhou para o céu e viu gaivotas a voar. E ficou de tal forma maravilhada que perguntou a outra galinha o que era aquilo. A galinha respondeu-lhe que era uma gaivota. A gaivota ficou fascinada com o que vira e insistiu com a galinha. Perguntou-lhe porque é que elas não voavam ou planavam como as gaivotas. A galinha respondeu-lhe que o lugar delas era na capoeira, a comer milho, e explicou-lhe a diferença entre as galinhas e as gaivotas. A gaivota ficou triste porque afinal, ela preferia ser como aquela gaivota que voava, sem saber que ela também era uma delas. Então, resignou-se com a sua condição de galinha e ficou naquela capoeira durante toda a sua vida. 

in Chicken Soup for the Soul, de Jack Canfield e Mark Victor Hansen

20/05/15

Final de tarde....

                                                           
(clicar para maior imagem )

Pôr do sol. As pessoas saem do trabalho, o trânsito instala-se. Por aqui as coisas são mais diferentes. Por algum motivo que não sei explicar, fico sempre mais inspirada nesta altura do dia. Deve ser da luz solar ou da temperatura, que começa a ficar mais baixa. Não sei. Às vezes, estou a trabalhar e não estou tão "apurada", outras vezes estou exausta - isto de acordar as quatro e meia da madrugada tem muito que se lhe diga. Mas depois há outras vezes - como hoje - em que aproveito para escrever e rende imenso (3 páginas). Parece que se dá uma diarreia de ideias e é so registar tudo no papel. Ao final de tarde ou de manhã bem cedinho. 

E assim se faz uma piolha feliz.

17/05/15

A devanear nas férias

Praia das Maçãs, Sintra 

Diz que o Benfica é campeão e que as ruas estão um caos. Por aqui aproveitou-se o último dia de férias. Praia, passeios, boa comida e companhia. Deu para descansar a cabeça e apreciar as pequenas coisas da vida... mesmo pequenas. Como saborear uma néspera acabadinha de puxar da árvore - nunca pensei que fossem tão doces - enquanto o sol de final de tarde me batia no rosto. Ou a sensação de ficar saciada, e feliz após uma fome daquelas... que até fazem o estômago roncar, sabem? Ou ainda de sentir o corpo exausto e acordar refrescada na manhã seguinte após uma bela noite de sono.

São estas pequenas coisas que me fazem sorrir :-)

13/05/15

Dos bons livros

O gosto pela leitura surgiu com os livros de "Uma Aventura.,." e lembro-me que na primária adorava quando a professora me pedia para ler os textos. Já na adolescência (quase adulta, vá), as férias de Verão eram passadas na companhia do Poirot, do Harry Potter, do Robert Langdon, da Kitty Fane. 

Andei durante semanas sem ler nada e, confesso que já me estava a sentir estranha, pois precisava de um pedacinho de ficção no meu dia-a-dia até que encontrei um livro que me está a cativar bastante. Ao ponto de o ler sem dar conta das horas passarem, ou pegar nele de manhãzinha, com a barriga ainda em jejum, sabem? "O 11º Mandamento", do Daniel Sá Nogueira. Está a ser melhor do que eu esperava. 

11/05/15

Trafulhices minhas

Para começar as férias em grande, tinha de me acontecer algo pouco... usual. Bom, estava a je quase à porta do dentista, ainda a acabar de descer as escadas quando por obra de sabe-se-lá-o-quê dou um mau jeito com o pé que por pouco não me deixa espalhada no chão. Claro que a coisa podia ficar por aqui, fingia que não se passava nada e pronto, mas não. Quando vou a abrir a porta da clínica dou um empurrão à maldita, fazendo um barulho que pôs todos os olhares- logo hoje que a sala de espera estava cheia - sobre mim.

O pior é que estava escrito "Puxe" na porta em letras garrafais. 
Devaneios Lisboetas. Com tecnologia do Blogger.

Vamos devanear?

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Acerca de mim

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"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

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