29/05/15

Peripécias no aeroporto #4

Há clientes que acabam por se tornar numa agradável surpresa e foi o que me aconteceu ontem. Entrou uma cliente e ela esteve algum tempo na loja a escolher artigos. Resolvi ajudá-la e vi que ela era um poço de simpatia. Era tradutora de francês, trabalhava em Argel e procurava souvenirs para as amigas. Tal como eu, também era de letras. Acabei por desabafar que também era da mesma área e que adorava escrever, falando por alto do meu blog. No fim, trocámos os nomes, apertámos as mãos e até o link deste cantinho. 

São pessoas assim que fazem valer a pena :-)

A caminho do Verão



Há certas coisas que só os dias como os de hoje tornam possíveis: da sensação de poder andar à noite de vestido ou top, de tomar um duche e sair da casa de banho refrescada, sem tiritar de frio. De poder escrever à noite de janelas abertas, ouvindo lá fora o bulício lisboeta. Da vontade quase constante de beber sumos naturais e comer muita muita fruta...  além da praia, claro.

Tem só um senão: é que às vezes dormir com este calor torna-se quase impossível. Mas só às vezes :D

25/05/15

Dos momentos espontâneos


Andava eu a pôr a escrita em dia quando recebo uma chamada da C. ao fim da tarde. Disse que estava por perto e perguntou-me se não queria tomar um café. Um quarto de hora depois, estávamos sentadinhas na Padaria Portuguesa a tagarelar. Contou-me que se cruzou várias vezes com o Rodrigo Leão no Oceanário (deixando a je com uma pontinha de inveja) e que o estágio estava quase a acabar. A dada altura lembrou-se de perguntar como é que ia o meu blog. Eu, timidamente, respondi:
- A... bem. Com os horários do aeroporto, sabes como é... mas eu tenho escrito.
- Sim, mas tens tanto sobre o que escrever. 
E debita-me uma data de temas super entusiasmada. Conheci-a no liceu, quando eu ainda era uma pitinha cheia de acne e o mais engraçado é que nem sequer andávamos na mesma escola. Podemos não falar todos os dias,  na verdade, já não a via há algumas semanas, mas quando nos encontramos é sempre com sorrisos e com uma carrada de novidades. Assim voaram quase dez anos... ficámos ali quase duas horas à conversa.

E vai ser a minha futura manager ehehhe.

Peripécias no aeroporto # 3

Ontem foi um daqueles dias em que nem sequer devia ter saído de casa, sabem? Trabalhava com a L., que está há pouco mais de uma semana na loja, e eu repunha uns artigos em falta na montra da prata. De repente, o telefone toca. Temos um no armazém cuja extensão dá directamente para a loja. De qualquer modo, naquele momento, pensei para mim: "Hum... encomenda não é de certeza, hoje é domingo..."  A L. atendeu e eu continuei com o nariz enfiado na montra. 
- Sim?
- Estou a ligar por causa da alfândega.
- A... sim?
- Tenho aqui um casaco perdido na porta 16.
- Pois, é engano, isto aqui é uma loja de artesanato. 
Passado um minuto, voltam a ligar e a L. chama-me. Eu, com o meu mau humor, vou a praguejar entre os dentes "Fogo, uma pessoa não pode trabalhar em paz, não percebem que isto não é a alfândega?" Pego no telefone e atendo de forma abrupta:
- Estou?! 
A L. olha para mim, erguendo as sobrancelhas de espanto.
- Tenho aqui um casac..
- É engano. 
E pousei o auscultador com cara de poucos amigos. A L. desmancha-se a rir e eu voltei para a montra. Passado umas horas, já bem mais calma, pergunto-lhe:
- Eh pá... achas que fui muito rude ao telefone?
Ela ri-se e responde:
- Não, foste fantástica. 
É uma querida.

24/05/15

Desenvolvimento... quê?

Sempre olhei para os livros de desenvolvimento pessoal com desdém, passavam-me completamente ao lado nas livrarias, ia directamente para a área da ficção. Aliás, desenvolvimento pessoal eram duas palavras que eu associava aos tempos de escolinha, de descobrirmos a nossa identidade, de apostarmos em nós, blá blá blá...
No entanto, tinha um problema em mãos: não sabia o que queria fazer da vida. Uma questão que afecta muita gente, mais do que aquilo que imaginava. Tinha eu 21 anos e andava nesse mar de incerteza. Passou mais um ano e continuava a bater na mesma tecla, até que me veio parar às mãos um livro de desenvolvimento pessoal do Daniel Sá-Nogueira. Qual não foi o meu espanto quando até me identifiquei com aquilo, pensei: "Eh pá, o homem até parece saber do que fala..." Uma nova palavra entrou no meu vocabulário: Coaching. Podia dizer agora que foi o livro que me salvou e vivi feliz para sempre, mas não. 

Um grande amigo meu recomendou-me a Joana Areias, fundadora do  Life Purpose Coaching System. Ao início, fiquei céptica, mas depois decidi arriscar, pois até quando é que iria continuar desorientada a nível profissional? Afinal de contas, vi que ela é especializada em ajudar pessoas na minha situação. Três meses depois, muita coisa mudou e o manto de nevoeiro foi-se dissipando lentamente. Bom, ainda não descobri o que quero, mas estou bem mais perto. Percebi o que é que gosto realmente de fazer (só de pensar que a resposta esteve desde sempre à frente do meu nariz) e estou a fazê-lo neste exacto momento: escrever. Faltava-me apenas acreditar nisso.

Eu também mudei. Sem dúvida que já não sou a mesma pessoa de há um ano atrás, mesmo neste último meio ano senti que o meu espírito despertou e andei muito mais consciente de tudo. Andava sedenta pelo conhecimento, aprendi coisas diferentes e quanto mais aprendia, mais queria saber. Voltei a pintar, tornei-me mais dinâmica e as pessoas à minha volta também notaram que eu estava diferente. Ficaram com a pulguinha atrás da orelha e perguntaram-me o que é que eu andava a fazer, como é que funcionava isso do coaching. Sim, a melhor parte disto tudo foi tê-los sempre a meu lado. Sempre. 

Com isto tudo, não estou a dizer que a minha vida se tornou cor-de-rosa, cheia de arcos-irís e póneis. Os dias cinzentos e chuvosos também existem, mas aprendi a lidar com eles de maneira diferente, ou pelo menos, da melhor maneira possível. E de passinho a passinho vou descobrindo mais todos os dias.

Obrigada a ti, Joaninha. 

22/05/15

A história da gaivota e das galinhas

Era uma vez um ovo de gaivota que rolou para uma capoeira de galinhas. E, assim que a gaivota nasceu, olhou à sua volta e só viu galinhas. Achando que era uma delas, cresceu a imitá-las, mas sempre se sentiu diferente e algo desajeitada. Certo dia, a gaivota olhou para o céu e viu gaivotas a voar. E ficou de tal forma maravilhada que perguntou a outra galinha o que era aquilo. A galinha respondeu-lhe que era uma gaivota. A gaivota ficou fascinada com o que vira e insistiu com a galinha. Perguntou-lhe porque é que elas não voavam ou planavam como as gaivotas. A galinha respondeu-lhe que o lugar delas era na capoeira, a comer milho, e explicou-lhe a diferença entre as galinhas e as gaivotas. A gaivota ficou triste porque afinal, ela preferia ser como aquela gaivota que voava, sem saber que ela também era uma delas. Então, resignou-se com a sua condição de galinha e ficou naquela capoeira durante toda a sua vida. 

in Chicken Soup for the Soul, de Jack Canfield e Mark Victor Hansen

20/05/15

Final de tarde....

                                                           
(clicar para maior imagem )

Pôr do sol. As pessoas saem do trabalho, o trânsito instala-se. Por aqui as coisas são mais diferentes. Por algum motivo que não sei explicar, fico sempre mais inspirada nesta altura do dia. Deve ser da luz solar ou da temperatura, que começa a ficar mais baixa. Não sei. Às vezes, estou a trabalhar e não estou tão "apurada", outras vezes estou exausta - isto de acordar as quatro e meia da madrugada tem muito que se lhe diga. Mas depois há outras vezes - como hoje - em que aproveito para escrever e rende imenso (3 páginas). Parece que se dá uma diarreia de ideias e é so registar tudo no papel. Ao final de tarde ou de manhã bem cedinho. 

E assim se faz uma piolha feliz.
Devaneios Lisboetas. Com tecnologia do Blogger.

Vamos devanear?

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Acerca de mim

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"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

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