18/08/15

Its all about connection


Depois de passar oito horas do meu dia a lidar com pessoas, a minha paciência fica ligeiramente no limite. Mas, verdade seja dita, são elas que nos fazem crescer. O ser humano não evoluía, se vivesse isolado no mundo, certo? Porque a vida é feita de pequenos grandes acontecimentos e cada um deles acabam, de certa forma, por se tornar num capítulo. 

O facto é que as pessoas procuram-se umas às outras, mesmo sendo inconsciente. É tudo uma questão de nos conectarmos uns com os outros, como uma rede social humana, de encontrar aqueles amigos de A grande. Sim, aquelas pessoas que não importa se estamos bonitos, feios, se cheiramos mal dos pés ou arrotamos... simplesmente estão lá. E só isso já facilita muita coisa. Torna certos episódios menos assustadores. 

A vida acaba por se tornar um pouco nisso: numa eterna busca de seres com quem nos identifiquemos. Confesso que no meu caso já encontrei alguns... e não há um único dia em que não me sinta grata por tê-los comigo. 

15/08/15

A senhora das limpezas

É quase meia noite. Na plataforma da estação da Alameda, meia dúzia de pessoas com cara de cansaço aguardavam o metro e eu era uma delas. Geralmente, quando saio do trabalho a essa hora tardia, costumo encontrar a senhora das limpezas. Ora podia ser uma pessoa como outra qualquer mas há certos traços nela que prendem a minha atenção. É magra e pequenina, contudo o seu passo é rápido e decidido. Usa o cabelo ruivo solto, com apenas uma pequena mecha levemente entrançada atrás. E é sempre um poço de simpatia. Certa vez, enquanto ela lavava o chão, duas amigas conversavam entre si sentadas, à espera do metro. Ao verem-na, encolheram as pernas de modo a não estorvar, pelo que a "ruivinha" respondeu com um  "fiquem à vontade, deixem-se estar" possivelmente bem mais doce do que o meu, quando o digo aos meus clientes. 

No entanto, é sobretudo a sua saia que mais me desperta a curiosidade. É sempre comprida, até ao tornozelo e já a vi em diversos padrões: às flores, às pintas ou simplesmente lisas. É engraçado de ver como a saia vai esvoaçando, enquanto ela passa o chão com a esfregona, parecendo deslizar em pézinhos de lã.

Ontem passou por mim nas escadas. Cumprimentei-a e ela retribuiu com um largo sorriso. De seguida, dirigiu-se ao carrinho das limpezas e embrulhou a esfregona velha num saco de plástico, ficando o cabo de fora. Reparei que era a única que a observava. Os seus movimentos, enquanto trabalhava, eram tão fluídos que parecia os de uma bailarina. Por fim, começou a lavar o chão da plataforma. Do lado oposto, surgiu um colega, que lhe perguntou:

- Ainda demoras muito? 
- Não. Estava aqui uma mancha preta que se via à distância. 
- Então mas ainda falta?
- Não. Era uma mancha horrível, francamente querido. 

Dei por mim a sorrir sozinha na estação. De facto, limpar tem muito que se lhe  diga. Especialmente naquela estação de metro.

08/08/15

Amor em quatro patas


Eu não tenho nenhum animal de estimação, mas tenho de admitir que deve ser das sensações mais recompensantes que há. Passei dois dias a brincar com o cão da minha madrinha e é de rir à gargalhada. É o cãozinho mais beijoqueiro e sociável de sempre. Eu sei, em dois dias se calhar não deu para ver as asneiras que ele costuma fazer, os sapatos roídos, a casa virada de pantanas, as coisas partidas. Nem a responsabilidade e despesa que é necessária para ter um cão. Mas acima de tudo o amor destes meninos é do mais genuíno e puro que existe. Seja qual for o nosso estado de espírito, eles estão sempre prontos para nos receber com um latido de alegria e um vigoroso agitar de cauda. 

Por isso não entendo como é que há gente que os abandona. 

05/08/15

De coração cheio


O dia começou com grande nervosismo mas depressa se dissipou: acabei num autocarro com rumo a Faro, ao fim do dia. Sabem aquela sensação de terem superado um grande desafio?  Desafio esse que andavam a tentar ultrapassar há meses? Hoje foi o dia da vitória. 

Deixei a minha cidade num belo final de tarde. Confesso que adorava ser daquelas pessoas que dorme que nem uma pedra durante toda a viagem, mas não sou. Pelo contrário, parece que o céu maquilhado em tons de rosa e o alcatrão que vou desbravando de autocarro me deixa num estado meditativo e desperto, apesar do corpo estar morto de exaustão. O lema mantém-se: anything is possible e mil e uma ideias fluem-me pela mente. 

Nada podia abalar a minha boa diposição. Nem mesmo quando um pombo resolveu deixar-me um "presente" na minha mala de viagem (exacto, qual é a probabilidade??? Bem podia cair um maço de notas do céu, mas não...) Nada mesmo. Melhor ainda, iria celebrar com a minha gente. My people. 


Hoje toda eu sou amor (só hoje, hã?). Iria visitar o Algarve pela milésima vez, mas seria a primeira com carta de condução. 

30/07/15

Príncipe encantado

                                        Chuck and Sarah, da série "Chuck" (2012)

Ou a princesa. Também conhecido por "o/a tal ". Muitos são os que procuram mas eu cá tenho uma teoria: para mim tal ideia não existe. Não, não me tornei fria nem tenho um icebergue no lugar do coração. Pelo que eu vejo, o que existe são momentos. Com pessoas que nos marcam e que nos mudam, para melhor ou pior (geralmente é suposto ser para melhor, mas não é infalível). São fases da vida de cada um de nós. O ideal é essas fases estarem sintonizadas, de certa forma, nas duas pessoas mas isso nem sempre acontece. E quando não acontece, não tem necessariamente de ser uma coisa má. Muitas vezes - só para não dizer todas - não é nada fácil manter uma relação entre duas pessoas. Não é mesmo. 

O que se passa é que as comédias românticas e os livros do Nicholas Sparks só mostram a parte cor-de-rosa da coisa. E sim, é tudo muito bonito mas a longo prazo a relação acaba por se tornar num compromisso onde haja companheirismo, respeito, amizade, compreensão e um sem fim destas coisas filosóficas, estão a ver? Um trabalho mútuo. Estou a constatar o óbvio, eu sei, mas ao mesmo tempo, noto que muita boa gente perde esta noção. Porque no fundo é isso. Uma relação séria dá trabalho. Afinal, o que é que na vida não dá trabalho? Até  levantar o rabo do sofá para buscar a nossa tablete de chocolate dá trabalho! 

Lembro-me que quando cheguei ao último episódio da série que referi na imagem (das minhas preferidas, já agora) fiquei muito desapontada porque o final ficou em aberto. Três anos mais tarde e, depois de rever alguns episódios, percebi que foi dos melhores finais que a série poderia ter. Depende somente da nossa interpretação. Anything can happen

E é esse mesmo o meu lema de vida neste momento. Tudo é possível. Basta deixar. (Pronto, está bem e mexermos o rabo um bocadinho. Assim só um niquinho de nada).

Viva o nariz entupido!


Pleno Verão e adivinhem quem apanhou uma constipação... não tive saudades nenhumas das noites mal dormidas nem de andar a espirrar pelos cantos. Um pesadelo.

26/07/15

Aquelas alturas...

Em que temos a cabeça em água, porque acontece tudo ao mesmo tempo... um pouco como os electrodomésticos quando avariam. Começa com um microondas e a seguir vem o esquentador ou o fogão. Não é das melhores sensações. 
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"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

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