08/09/15

Decisions, decisions...

                                            Julia Roberts 


Vão haver sempre pessoas a mandarem-nos abaixo. Que dizem que não vamos ter sucesso, que não vamos conseguir, que vai correr mal. Mais interessante se torna quando essas pessoas são aquelas que mais nos deveriam apoiar . Pode nem ser por mal... às vezes,  e por mais irónico que pareça, é porque se importam connosco e por isso dizem tais coisas. Outras vezes é só mesmo por maldade ou inveja. 

Seja como for... nada disso interessa. O que importa mesmo és tu e aquilo que queres (ou não queres) para ti. Somos nós. Hoje tive um dia daqueles, sabem? Luminosos. Em véspera de folgas, podia ter aproveitado para descansar ou ler um livro, mas não. Assim que cheguei a casa, arrumei o quarto, doei dois sacos de roupa, tirei o pó aos livros de alemão e mandarim e ainda estive a ver o que preciso de material escolar. Pois, adivinhem quem vai voltar a estudar. E não, não vai ser na faculdade. Vai ser algo mais auto-didacta. Sempre adorei as cadeiras de língua e ficava aborrecida quando tinha de largar o alemão para estudar outra cadeira mais chata - como a teoria da literatura. Por outras palavras, vai ser brutal. 

Existe também o oposto das pessoas que descrevi no primeiro parágrafo. Há aquelas que ficam genuínamente felizes com as tuas decisões e além de te apoiarem, ajudam-te. Aquelas que te aceitam tal e qual como és, com todos os teus defeitos. Todos mesmo. Porque te conhecem. E eu sinto-me grata por isso. 

Sim, hoje foi um dia de esperança. De abraçar um novo desafio. 

03/09/15

Setembro


Mês de Setembro. Para muitos, é o mês de regressar às aulas, aos manuais escolares. Voltam também as melhores séries e com elas juntam-se as noites a devorar episódios (e a fazer maratonas de estudo, mas enfim, isso são pormenores)

Deixei para trás a minha vida de estudante mas, de vez em quando, sinto uma ligeira nostalgia. Lembro-me de estar sentada nas escadas da minha faculdade, em plena cidade universitária, ao anoitecer... a contemplar todo aquele ambiente académico com um sorriso no rosto. 

Os dias vão ficando mais curtos, a pouco e pouco. O calor vai acabando (ou não) e regressam os primeiros odores da chuva, depois de três meses de Verão intenso. Regressam as camisolas mais quentes e as mantas. É claro que agora é tudo muito bonito mas daqui a uns tempos já me estou a queixar das chuvas torrenciais - comigo ainda na rua, que é a parte mais gira - e do facto de às seis da tarde já estar noite cerrada. Mas pronto. Setembro não deixa de ser mágico.

31/08/15

Os mimos da juventude


Entre uma das mil e uma coisas boas de se ser jovem é ter um sistema imunitário do melhor... é apanhar uma constipação daquelas que nos tiram a força,  que só o facto de estar em pé deixa-nos completamente esgotados, sabem? Três dias depois, após muitas horas de sono - sim, porque continua a não haver cura para a constipação, os medicamentos apenas aliviam os sintomas - fico como nova. Ou quase, vá :-)

Melhor que um truque de magia.

25/08/15

A parte boa de crescer


Lembro-me que quando era criança as coisas eram mais simples. Uma manhã inteira de desenhos animados e uma lata de bolachas faziam as minhas maravilhas. Ou as brincadeiras infindáveis com peluches e Polly Pockets. O maior problema na altura seria apenas os trabalhos da escola ou o facto da colega x ou y ter sido uma pequena besta. No big deal

Estávamos na década de 90 e toda a gente se lembra do que era ser criança na altura. Tralhas como os tamagotchis, as cartas do Pokémon, os pega-monstros, eram quase um must have. Novo século e entramos na adolescência. Ficamos convencidos que é das melhores fases da vida, mas não é. Pelo menos, a minha não foi. Esta fase resumiu-se a ataques de acne, problemas de confiança, amores não correspondidos... you name it. Estão a ver aqueles filmes de domingo à tarde onde a protagonista é um "patinho feio" mas depois no fim se revela ser um belo "cisne" e fica com um gajo todo bom? Pois, atrevo-me a dizer que só cheguei à parte do cisne anos mais tarde. 

Acaba-se o liceu e entra-se num novo Mundo: a Faculdade. Confesso que quando pus os pés pela primeira vez na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa fiquei deslumbrada, foi quase como entrar em Hogwarts (excluindo a parte do banquete e o facto do pavilhão estar quase a desmoronar-se). Foi a fase mais tranquila da minha vida e também o primeiro passo para "ser um cisne". Tinha eu 17 anos e trazia comigo um monte de incertezas. Porque a verdade é esta: somos forçados a escolher muito cedo. No 9º ano, no meu caso, com 14 anos escolhemos a área que queremos seguir (no meu caso, não foi díficil, era uma naba com números e desenhos, restando portanto a área das Humanidades que adorava) e três anos depois decidimos em que é que nos queremos formar. Piece of cake. É claro que aquilo que estudámos não nos define, mas é impossível voltar atrás sem perder um ano aqui e acolá. 

Ora, encontravámo-nos no ano de 2012 (dizem que era o ano do Apocalipse, pois claro...) e saí da bolha académica para enfrentar uma nova realidade: o mercado de trabalho. Foi aí que as coisas mudaram. Para melhor claro. Não foi fácil encontrar algo, mas quando isso aconteceu, cresci. Sobretudo pelas pessoas que entraram na minha vida. Era aqui onde queria chegar: sim, às vezes sinto falta da simplicidade das coisas quando se é criança, mas não trocaria esta independência por nada deste mundo. Mesmo com as mil e uma angústias por que temos de passar quando somos adultos. Uma das coisas fundamentais que adquirimos com o tempo é a filtrar aquilo que é realmente importante e aquilo que não é. Aqueles que interessam e aqueles que não interessam para nada. 

Como disse, eu cá não sofro de síndrome de Peter-Pan. O que sou agora vale mais, apesar de ainda adorar comer bolachas à frente da televisão. 

22/08/15

Housekeeping


Dia de folga: até poderia significar ir a algum lado fabuloso mas não. Desta vez,  é apenas sinónimo de limpezas. É daquelas coisas que não gosto muito de fazer mas que têm de ser. É cansativo sim, mas depois vem o grande sentimento de vitória quando acabo com uma casa de banho reluzente ou um fogão livre de gorduras e pronto para outra. Um lar limpo e arrumado, quem é que não gosta? :D 

É claro que daqui uns dias voltamos ao mesmo "déjà-vu" de arrumar tudo de novo. De limpar e esfregar tudo, outra vez. E lá vou eu armada em fada do lar tratar do assunto. 

18/08/15

Its all about connection


Depois de passar oito horas do meu dia a lidar com pessoas, a minha paciência fica ligeiramente no limite. Mas, verdade seja dita, são elas que nos fazem crescer. O ser humano não evoluía, se vivesse isolado no mundo, certo? Porque a vida é feita de pequenos grandes acontecimentos e cada um deles acabam, de certa forma, por se tornar num capítulo. 

O facto é que as pessoas procuram-se umas às outras, mesmo sendo inconsciente. É tudo uma questão de nos conectarmos uns com os outros, como uma rede social humana, de encontrar aqueles amigos de A grande. Sim, aquelas pessoas que não importa se estamos bonitos, feios, se cheiramos mal dos pés ou arrotamos... simplesmente estão lá. E só isso já facilita muita coisa. Torna certos episódios menos assustadores. 

A vida acaba por se tornar um pouco nisso: numa eterna busca de seres com quem nos identifiquemos. Confesso que no meu caso já encontrei alguns... e não há um único dia em que não me sinta grata por tê-los comigo. 

15/08/15

A senhora das limpezas

É quase meia noite. Na plataforma da estação da Alameda, meia dúzia de pessoas com cara de cansaço aguardavam o metro e eu era uma delas. Geralmente, quando saio do trabalho a essa hora tardia, costumo encontrar a senhora das limpezas. Ora podia ser uma pessoa como outra qualquer mas há certos traços nela que prendem a minha atenção. É magra e pequenina, contudo o seu passo é rápido e decidido. Usa o cabelo ruivo solto, com apenas uma pequena mecha levemente entrançada atrás. E é sempre um poço de simpatia. Certa vez, enquanto ela lavava o chão, duas amigas conversavam entre si sentadas, à espera do metro. Ao verem-na, encolheram as pernas de modo a não estorvar, pelo que a "ruivinha" respondeu com um  "fiquem à vontade, deixem-se estar" possivelmente bem mais doce do que o meu, quando o digo aos meus clientes. 

No entanto, é sobretudo a sua saia que mais me desperta a curiosidade. É sempre comprida, até ao tornozelo e já a vi em diversos padrões: às flores, às pintas ou simplesmente lisas. É engraçado de ver como a saia vai esvoaçando, enquanto ela passa o chão com a esfregona, parecendo deslizar em pézinhos de lã.

Ontem passou por mim nas escadas. Cumprimentei-a e ela retribuiu com um largo sorriso. De seguida, dirigiu-se ao carrinho das limpezas e embrulhou a esfregona velha num saco de plástico, ficando o cabo de fora. Reparei que era a única que a observava. Os seus movimentos, enquanto trabalhava, eram tão fluídos que parecia os de uma bailarina. Por fim, começou a lavar o chão da plataforma. Do lado oposto, surgiu um colega, que lhe perguntou:

- Ainda demoras muito? 
- Não. Estava aqui uma mancha preta que se via à distância. 
- Então mas ainda falta?
- Não. Era uma mancha horrível, francamente querido. 

Dei por mim a sorrir sozinha na estação. De facto, limpar tem muito que se lhe  diga. Especialmente naquela estação de metro.
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"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

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