Havia um rapaz. Começam todas com um rapaz. Bom, às vezes também pode ser uma rapariga mas, neste caso, é mesmo um rapaz. Gostávamos da mesma banda de música e demo-nos bem, de imediato. Verdade seja dita, tínhamos muita afinidade. Ele tocava guitarra eléctrica, instrumento que sempre me fascinou. Tinha uns olhos castanhos meigos e uma covinha do lado direito da boca quando sorria. Tornámo-nos grandes amigos num curto espaço de tempo. E o meu coração derreteu-se. Perguntava-me muitas vezes como seria o sabor dos seus lábios. A história poderia ter acabado aqui, mas não. Aliás, pelo título já se sabe que não se vai ler um final feliz por estes lados.
Poucos mesinhos depois, ele arranjou uma namorada. E na cabeça de uma mera adolescente isso é tão mau como o Apocalipse. Porque ele gostava muito dela e isso destruía-me. Se devia ter lutado por ele? Se calhar. Mas eu não era nem metade do que aquilo que sou hoje, era demasiado insegura e por isso aguentei-me à bronca. Que mais poderia eu fazer? O facto é que nunca lhe confessei os meus sentimentos, mas ele sabia. Fui aguentando e assim se passaram dois anos. Queria que ele fosse feliz, acima de tudo.
Fui-me mantendo mais afastada, mas a parte chata disto tudo é que ele era meu amigo e eu sentia muito a falta dele. Falávamos sobre tudo e nada, muitas das vezes bastava um olhar mais cúmplice para eu saber o que ia naquela cabecinha. Pelo menos, a grande maioria das vezes. Sentia-me exausta e já não queria lutar mais, por isso deixei a coisa andar e tentava não pensar demasiado na situação.
Até que chegou o dia. De entrar no mundo dos mais crescidos - também conhecido por universidade. E nunca mais soube nada dele. O seu número já nem sequer estava atribuído. Mandei-lhe emails mas nunca obtive resposta. Se achava que os últimos dois anos tinham sido um pouquinho-de-nada amargos, depois disto, tudo mudou. Foram precisos mais não sei quantos anos para me curar desta ausência. Conheci uma pessoa na altura, mas tinha sempre este assunto na parte de trás do meu cérebro.
Li algures uma frase que me ficou gravada na memória durante anos: "O amor não correspondido é o mais romântico de todos". Muito sinceramente, quem a escreveu é um autêntico palhaço. Está bem, não digo que estes amores não tenham o seu quê de profundo, mas doem para caraças!! E muito provavelmente quase todos os mortais têm pelo menos um no seu currículo amoroso. É verdade ou mentira? :-)