12/04/16

Camaleão

 

Camaleão.
De que cor?
Da cor da gente alheia e do teu eu esquecido
Da cor do “tem de ser”
Da cor dos valores que não são teus
Da cor da fama e do dinheiro
Da cor das coisas que na verdade não te pertencem.

Camaleão.
De que cor?
Da cor das lágrimas que nunca caíram
Das palavras retidas na garganta
Dos sentimentos incessantes.

Camaleão.
De que cor?
Da cor do teu sorriso e da saudade
Da cor do teu olhar castanho risonho
Da cor da ausência
Da nossa cor.

08/04/16

04/04/16

Driving


Descobri que conduzir para mim é como uma terapia. Depois de um dia de bosta, acordei ainda pior. Meti-me no carro e fui despachar uns assuntos... posso-vos dizer que conduzir num fim de semana de manhã é do melhor. A pouco e pouco, a sensação de irromper com as lágrimas foi sumindo e minutos depois estava sorridente e bem mais calma. 

O mais irónico é que nem sequer sou grande condutora. Para estacionar então, deveria ser filmado (dêem-me um desconto, só tenho a carta há pouco mais de meio ano)!! Mas gosto de percorrer todo aquele alcatrão com o meu boguinhas... funciona como uma espécie de meditação. Claro que nas horas de ponta o meu discurso muda. 

Causa-me um pequeno desgosto não ir para o trabalho de carro. É que sabem, ter horário de gente normal dificulta um pouco as coisas e o estacionamento perto do meu local de trabalho é pago. Não é como no aeroporto em que desbravava as estradas de madrugadas ou a meio da tarde, sem confusão à minha volta.

E vocês aí desse lado? Gostam de conduzir ou nem por isso? :-) 

01/04/16

Era uma vez...


Eu não sou muito de ver séries. Já fui mas, de há uns anos para trás, fui perdendo um pouco a paciência. A eterna espera pela próxima temporada e o facto de já não me lembrar muito bem do enredo contribuíram em muito para isso. Houve apenas algumas que vi desde o início até ao fim, ou seja, desde da primeira temporada até à última: o "Dexter" - bem me lembro como suspirava pelo Michael C. Hall - o "Chuck", que é a minha série preferida de todos os tempos, Orphan Black e agora o Once Upon a Time, também conhecida por Era uma vez.

Dos mesmos criadores da série "Lost", ela é baseada nas personagens da Disney e a acção passa-se na cidade de Storybrooke. Há sempre um vilão em cada temporada: desde a Bruxa Má da Branca de Neve até à Maleficent ou à Cruella DeVil. Já vai na quinta temporada e quando começo a pensar que tanta fantasia já é um bocadinho demais, surpreendem-me com um novo vilão. Desta vez, trouxeram o Hades, o tio do Hércules. De tirar o chapéu. 

E por aí? Que séries é que gostam de ver? :-)

29/03/16

Das dualidades da vida


O primeiro dia de trabalho. É dos dias mais marcantes, pois é aquele que nos faz sair da nossa zona de conforto, é o que nos dá a conhecer novas pessoas, o que nos vai fazer crescer tanto a nível profissional como pessoal, é o primeiro dia de uma nova fase. 

Depois, por outro lado, temos o último dia de trabalho. É o dia em que tornámos o que outrora foi desconhecido em zona de conforto, em que as pessoas novas se tornaram nos nossos amigos, é o fim de um capítulo mas também marca a possibilidade de muitos outros.  

Desta vez, é o início. Vamos a isto. 

26/03/16

Primavera


Quando era mais nova - por outras palavras, quando ainda andava no liceu - apercebia-me que a Primavera tinha chegado através da mudança de hora, no último domingo do mês de Março. Havia outros sinais, claro, mas para mim isto era o que tornava oficial a chegada  da nova estação. De repente, já não era noite as 18h da tarde, já não fazia tanto frio e já não tinha de andar o dia todo com as meias ensopadas - acontecia-me tanta vez quando chovia a potes e tinha calçado os meus ténis de estimação, metia literalmente a pata na poça.

Sempre foi uma das minha estações preferidas. Nem demasiado quente, nem demasiado fria. É o primeiro passo para os dias longos e solarengos, para a feira do livro e as farturas (pelo menos aqui em Lisboa), para o renascer da natureza assim como a chegada das andorinhas, para as noites quentes de Verão.

20/03/16

It ain't easy

Nunca ninguém te diz que vai ser fácil, porque a verdade é que não vai e tu já sabes isso. No entanto, o que tu queres não são palmadinhas nas costas, às vezes basta apenas pararem de dizer que não vai correr bem, que não há futuro, que não presta. Queres carregar no mute e ficar no teu canto por um bocado, para amadurecer as ideias. Porque o facto é que nem tu sabes como as coisas vão correr. 

Antes de mais, tens uma grande tarefa pela frente: descobrir aquilo que gostas de fazer. Aquilo que queres ser quando fores grande e não tem de ser para o resto da vida. Eu demorei 23 anos a descobrir o que raio queria fazer com a minha vida e, mais importante que tudo, a acreditar que aquilo que eu queria era possível. 
Depois de descobrires o teu propósito, chegou a altura de lutares por ele. E, adivinha... não vai ser fácil. Às vezes, ser feliz não é fácil sobretudo quando implica ir contra os valores ou ideias dos outros. Quantas vezes eu não oiço colegas dizerem que gostavam de ter ido para o curso de psicologia ou artes mas escolheram Direito porque teve de ser? Ou que gostavam de ter feito isto ou aquilo mas as circunstâncias da vida não o permitiram? Não, não os estou a julgar porque eu não sou ninguém para o fazer, mas são estas pequenas coisas que me fazem reflectir.

A partir de uma certa altura, a sensação de ficar estagnado fala mais alto. Vês os anos a passarem mas, apesar disso, estás na mesma: no mesmo sítio, no mesmo trabalho, na mesma vida. Claro que se te sentes feliz assim, óptimo. O problema é quando não estás bem. Mais uma vez, não estou aqui para julgar ninguém, porque eu sei que é muito mais fácil deixar as coisas andarem e manterem-se neste coma diário do que dar uma reviravolta nisto tudo. Porque fazer isso implica mudar e tomar decisões, implica quebrar rotinas de muitos anos, implica... sair da zona de conforto. E isso pode ser aterrador ao início, sobretudo quando se tem mais alguém dependente de nós. Eu sei, porque estou a passar por tudo isso agora. Pior é quando finalmente te decides mexer e, as pessoas que te são mais próximas parece que te tentam demover as ideias, achando que piraste de vez! Não é por mal, acredita, é porque muito provavelmente estão preocupados contigo (ainda que tenham uma forma estranha de o demonstrar, i know)


Posso apenas dizer que tem dias. Às vezes, ligo o turbo e faço as coisas de cabeça erguida. Outras vezes, nem tanto. Começo a duvidar, a baixar os braços... e aí lembro-me também do sabor da estagnação. Isso funciona como um choque eléctrico, porque é o que faz com que  volte sempre a tentar. Há uns meses atrás, tive de tomar uma decisão séria (mais uma da vida!) e, ao desabafar com a minha madrinha, ela perguntou-me de repente: "Olha, se morresses agora, morrerias feliz?". Fiquei uns bons minutos a olhar para o ecrã do computador. O cursor continuava a piscar, ansiando a minha resposta que foi: "Bem... não morreria infeliz." Pois não, mas morreria conformada. E sinceramente, a vida tem de ser mais do que... conformada.

Por isso sim,  o caminho para a felicidade é tramado. Só nos contos de fadas é que tudo é maravilhoso porque na vida real, é isto. Mas... quando alcançar o meu objectivo, eu sei que nem vou ter palavras para descrever a sensação. Todos os adjectivos vão parecer insuficientes. Vou andar com um sorriso tolo e um brilhozinho nos olhos, preenchida pelo sentimento de conquista e de "missão cumprida". É como quando estamos apaixonados, estão a ver? Excepto que, desta vez, estou a falar da paixão pela vida.
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"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

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