Tudo começou com um daqueles lembretes do facebook. A minha madrinha partilhou uma memória da primeira vez que fui a Faro. Em Maio de 2014. O meu coração sorriu porque desde então tanto a minha vida como a dela mudara por completo. Em dois anos apenas.
Antes de 2014, o Algarve para mim era aquele sítio banal onde toda a gente ia passar o mês de Agosto. Não imaginaria nunca que iriam aparecer dois algarvios (portanto, a minha madrinha e o meu padrinho) para revirar a minha vida. E que boa reviravolta, digo-vos já! Se Lisboa viu-me nascer, Faro viu-me crescer. Nesses dois anos, cada vez que lá ia sentia um turbilhão de emoções, era muito mais do que ir visitar uns amigos. Regressava sempre uma pessoa diferente, mesmo sem saber. Nunca me esquecerei do dia em que cheguei à estação de bagagem na mão e tinha dois vultos sorridentes lá ao longe, à minha espera. Eu sei, podia estar a falar de um destino paradisíaco ou da Big Apple, mas não. Estou mesmo a gabar a pequena grande cidade de Faro. Porque também se tornou na minha casa, por ser sempre tão bem acolhida e acarinhada. E, se há coisa que aprendi nestes últimos anos, é que o nosso lar pode ser onde nós quisermos que seja. Em qualquer parte do mundo.

Em dois anos, mudei de trabalho algumas vezes, saí de casa, tirei a carta de condução, vivi em Faro, viajei pela costa algarvia, conheci um pouco do Norte, voltei para Lisboa. É certo que não conquistei o mundo mas... não estou nada mal para uma pirralha de 24 anos, hã? :-) A minha madrinha, por sua vez, tem uma linda bébé nos seus braços.
O regressar a Lisboa é sempre díficil (apesar de amar a capital, atenção!). O familiar nó na garganta na estação rodoviária. O marejar de lágrimas. Mesmo sabendo que voltarei. Sempre.
É o que dá ser lisboeta de sangue e algarvia de coração.