Estou de volta. Ou, pelo menos, vou tentar estar. Encontro-me bem de saúde, mas sei que não é esse o cerne da questão. Mais relevante ainda é o que tenho andado a fazer nestes últimos tempos.
Bom, vamos por partes. Isto de dar aulas e de poder trabalhar com jovens e adolescentes ainda é novidade para mim. Estaria a mentir se dissesse que é uma maravilha diariamente. Não é bem assim, principalmente com os adolescentes que parece que não se interessam por nada e quando é para dar sugestões, tá' quieto. Para estudar, às vezes, é quase como se lhes pedissem para vender a alma ao diabo. Faz parte. O meu gosto musical baixou ligeiramente (noutro dia, dei por mim a ouvir uma música dos Anjos, misericórdia!) e o meu português também (euzinha já disse: "pede a ela para fazer isto" em vez do bem dito pronome: "pede-lhe").
Claro que há um lado bom nisto tudo, senão já teria entrado em colapso. A melhor parte é que muitas vezes vou para casa com o coração cheio. Ou cheio de tralhas de desenhos, origamis ou até rabiscos nos braços. De ver que, de certa forma, criei uma ligação com os miúdos (demorou 6 meses até que me dissessem: "Adeus, Catarina!", com direito ao meu nome e tudo!) ou que até gostam de estudar comigo e aprendem qualquer coisa. Entretanto, levei uma aluna a exame de mandarim que teve quase nota máxima - por 10 pontos! - e levantei algumas negativas. Eu, enquanto profissional, na área da educação não podia estar mais satisfeita. Não, o mérito não foi meu. Foi deles, que se esfolam para caramba. Eu apenas aprendi técnicas de ensino e posso melhorar enquanto educadora.
O lado mais díficil? É não ceder à sociedade. Porque, aos seus olhos, uma pessoa que larga trabalhos estáveis para se aventurar em outros de ordenado inferior é só louca. Fiz uma escolha e eu sabia que ela tinha consequências. Se tenho saudades de esbanjar? Tenho, pois claro. De entrar numa loja e comprar n peças de roupa ou de esbanjar uma pequena centena em saltos de pára-quedas ou workshops (os meus amigos até diziam na brincadeira que eu era um banco chinês!) Tenho saudades sim. No entanto, também gosto de ir trabalhar feliz e até há uns tempos achava mesmo que isso não era possível. Pelo menos, não a longo prazo.
E por aí, que têm feito? Como estão vocês?





