28/03/15

Sabemos que...

... estamos a dormir em pé às 5 da madrugada quando damos por nós a enfiar o pote de mel dentro do frigorífico. Ah, é isso e quando vou com uma meia diferente em cada pé. 

24/03/15

On Holiday

                                                              A baixa de Faro

Uma semana de descanso em meados de Março. Nenhum avião para apanhar, desta vez. Até meio da semana, fiquei a pintar, a ler, ia arrumando a casa, vendo alguns filmes até que percebi que faltava apenas uma coisa. Não tinha escrito quase nada. Durante os dias de trabalho, só queria ficar sossegada para poder escrever e agora que tenho tempo... nada. Na mesma altura, a S. a minha madrinha, veio a Lisboa. Assim que ela sai do autocarro, diz pelo telemóvel: "Está um frio do cacete!". Desmanchei-me a rir, porque tive saudades de ouvir aquela expressão ( e só tem graça quando é dito por ela). De repente, uma ideia fulminante atravessou-me o espírito: E se descesse com ela para Faro? Lá não teria nada para me distrair, portanto teria MESMO que escrever. 

Duas luas mais tarde ( e com um eclipse lá pelo meio) estava em Faro. De manhã estava por minha conta. Acordei, tomei o pequeno almoço vagarosamente e segui para a baixa. Apesar das indicações da S. acabo por me perder à mesma e adorei a sensação. Torna-se num verdadeiro sossego para a mente. 

Vinte minutos depois, encontro o café que a minha madrinha me falou e sento-me à esplanada na companhia de um sumo de melão. Foi aí que a magia aconteceu: escrevi durante duas horas seguidas, algo que não acontecia há meses. Claro que a meio olhei para o céu nublado e roguei-me uma praga: "Merda, C. Porque raio não trouxeste um casaco??". Parece que S. Pedro ouviu a minha queixa e, meia hora depois, vieram uns raiozinhos de sol. 

A isto é que eu chamo de férias :-)

21/03/15

Veia de pintora?

Há uns anos atrás, fui passar férias com a M. em Cascais. Estava um dia mau para ir à praia e, por isso, decidimos ficar por casa. Para quem se torna numa lagosta com facilidade, soube bem dar uma folga à pele. Ainda assim, tivemos um dia diferente. Comprámos caixas de madeira e passámos o dia inteiro a pintá-las. Tinha eu 16 anos na altura e lembro-me que foi algo que me deu muito prazer e, no entanto, nunca mais voltei a fazê-lo. Até há umas semanas atrás. Ocasionalmente, ia pensando naquela tarde de Verão mas o tempo ia apaziguando a memória. Ou melhor, eu ia criando mil e um obstáculos: "Não vou estar a gastar dinheiro com tintas" ou "Credo, vou ficar com o quarto todo sujo" e ainda: "Que raio vou fazer depois com o que pintei?" Sete anos depois, encontrei as respostas. O material não é assim tão caro (e vida de trabalhador é muito diferente da de estudante) e quando acabo de pintar as coisas ou fico com a peça para mim ou ofereço a amigos. É gratificante ver o ar de surpresa no rosto deles. Quanto ao quarto sujo... bem, para uma pessoa que é naturalmente trapalhona não é fácil. Quando dou por mim já está um pincel manchado de tinta caído no tapete ou a manga do robe com uma pitada de verde. Mas vale tudo a pena. Muitas vezes, dou por mim a rir-me sozinha ao besuntar os dedos nas tintas. E, sem dúvida, que as minhas manhãs de folga ganharam um sabor diferente. 
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"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

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