24/04/18

Tu



Na capital do país, a multidão aglomerava-se na plataforma à espera do metro. Caminhava em passos aleatórios e, por fim, parei à espera. De repente, olhei para o outro lado da linha e vi-te. Se não acreditasse no destino, depois disto teria de acreditar. Qual a probabilidade de parar mesmo à tua frente, depois de tantos anos sem te ver? Não tiravas os olhos do chão como, se de certa forma, estivesses a esconder o rosto. Eu, por outro lado, não conseguia desviar o olhar de ti. Deveria gritar pelo teu nome? Até o faria mas sentia a garganta presa. Só queria que levantasses a cabeça para ter a certeza que eras mesmo tu ao fim deste tempo todo. Aliás, conhecendo-te como conheço, com certeza já deste pela minha presença.

O meu metro chegou. Entrei e continuei a olhar pelo vidro. As portas fecharam e, quando estava prestes a arrancar, tu levantaste a cabeça e olhaste para mim. Senti que estavas a olhar através de mim, como se voltasse a ser a mesma rapariga de há 10 anos atrás. Queria-te esboçar um sorriso mas não conseguia de todo reagir. Finalmente o metro começou a andar, afastando-me de ti, mais uma vez. 

Seguíamos sentidos opostos, como de costume.  

19/03/18

E não é só por ser dia do pai...


Sempre que vou a casa do meu pai e, sobretudo, se vou trabalhar nessa manhã, há um ritual que é sempre feito. Assim que acordo, o meu pai entra na cozinha e prepara-me o pequeno-almoço. Enquanto estou à mesa, ele vai-me perguntando o que quero beber. Talvez por não ser a pessoa mais faladora de manhã, disse:

- Pai, não precisas de me fazer o pequeno-almoço. Não sou nenhuma criança.

- Se não és criança és o quê? Enquanto eu existir, tu vais ser sempre uma criança. 

Estava demasiado ensonada para responder. Ele continuou:

Sabes, eu quando dava aulas, acordava às 6 e meia da manhã e já tinha o pequeno-almoço todo feito. As papas, o pão, tudo. Eu bem dizia aos meus pais que não era preciso mas eles preparavam à mesma. 
Sorri para mim. Pensei também que se calhar não é por acaso que dou aulas.

23/02/18

Coisas dos miúdos #2

Entro na sala de estudo e um dos rapazes pergunta:

- Catarina, qual de nós tem a caligrafia mais bonita? 

E do nada fico com dois cadernos erguidos para comparar. De repente, a terceira rapariga acaba de escrever levanta o seu caderno e diz:

- Ché, olhem para esta beleza! 

Eu juro que tentei, que pedi aos anjinhos para manter um ar sério e adulto mas não deu. Desmanchei-me a rir e eles também.

17/02/18

Cenas de família

Isto de ter amigos que são irmãos entre si é bastante interessante. Chego a casa e vejo a minha amiga a ver televisão no sofá e diz-me assim:

- O mano saiu...

Não pude esconder o meu desapontamento. Já não via o irmão dela há séculos, vim quase a correr para casa e ele não estava. De repente...

- Cucuu!!!

Sai um vulto por trás das cortinas com o maior dos sorrisos. 

Óbvio que foi uma festa e ainda ouvi a irmã a reclamar:

- Tu também és parvo. Então deixaste a carteira no móvel da entrada. Foste sair sem carteira?!

 Adoro.

09/02/18

***


Algum dia irá deixar de doer? Sim, vai. Porque é aquela coisa de já teres enfrentado pior e teres aguentado firme, por isso, desta vez vai ser canja. Até pensas que te estás a levantar e a recuperar quando, de repente, acontece algo que te deixa literalmente a tremer. 

Curada, uma ova. Shit. 

15/01/18

Person of Interest


“When you find that one person who connects you to the world, you become someone different. Someone better. When that person is taken from you, what do you become then?”, John Reese, Person of Interest.


Recomendaram-me esta série há uns tempos e devorei-a até ao último episódio. Vale mesmo a pena, não fosse realizada pelo grande Jonathan Nolan. 
O chato é que agora fica aquele vazio, é a mesma sensação de quando um bom livro chega ao fim. Alguma sugestão? :-)

08/01/18

2018


Novo ano, novos sonhos e desafios. Podia fazer um balanço do ano que passou e fazer uma carrada de objectivos para este ano. Podia, a sério que podia, mas vou passar isso à frente. 

Tenho apenas uma intenção para este ano (UMA, portanto não há como falhar, hã?) - ser mais focada: em mim, na minha profissão, na minha família, na minha gente. E borrifar-me nas pessoas que não valem a pena (a cena é que só se percebe que não valem a pena quando é tarde demais!).  

Parece simples, certo? Também podia dizer que este ano vou-me dedicar mais a este cantinho. Vou tentar. Mesmo.
Devaneios Lisboetas. Com tecnologia do Blogger.

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"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

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