26/02/19

A bela da fronha

Tudo isto se passou na época em que a minha bestie se mudou para Lisboa, mais especificamente para a mesma casa que eu.  Adivinhem lá quem foi ajudar. Exato, moi-même! Era tralhas para cá, móveis para lá mas o pior claro... eram as roupas! Sentadas no chão a dobrar roupa, vejo um tecido de veludo verde e sai-me isto:


- Olha que peça tão gira!!! Nunca te vi a usar isto. 

- A... Catarina, isso é uma fronha!

18/02/19

Carta para o meu "eu" de 16 anos

Passamos a vida a dizer: "Se eu soubesse na altura o que sei hoje...". Eu mesma já o disse diversas vezes e eis o resultado:

"Minha querida,

Tenho excelentes notícias para ti. Eu sei que as coisas estão uma bela merda agora no Secundário mas eu prometo que na Faculdade as coisas vão melhorar. Vais adorar o teu curso, só vais ter pena que seja tão curto. Também te vais apaixonar por lá  e digo-te apenas uma coisa: confia mais no teu instinto porque ele raramente falha. Aprendeste uma das  lições mais importantes desta vida há bem pouco tempo, a de contar sempre contigo mesma para tudo, o resto é um bónus. Essa filosofia é a base de tudo, pois vai-te acompanhar sempre. 

As pessoas dizem que podemos ser tudo aquilo que quisermos mas não é bem assim. Tu claramente já deves ter percebido que não tens grande aptidão para a Matemática e Educação Física então nem se fala. Deixa lá, não vamos ser nenhum Einstein nem vamos para os Jogos Olímpicos. Mas esse gosto que tens pelas línguas estrangeiras não é por acaso. Investe nisso, está bem? Lá está, segue o teu instinto. Tu vais acabar a faculdade com 21 aninhos e a tua prioridade vai ser encontrar um trabalho. Seja em que área for. Não vai ser fácil, mas o facto é que vais ter muitos trabalhos, todos relevantes para o teu crescimento enquanto ser humano e para adquirires requisitos que nunca imaginarias alcançar. No entanto, um dia, vais pensar que a vida tem de ser mais do que isso. Mais do que ter um trabalho é ter O trabalho! E eu garanto que o vais ter! Vais descobrir o teu propósito de vida e vais ser muito boa naquilo que irás fazer. Não acreditas pois não? Eu também demorei a acreditar mas os outros também reparam no teu trabalho. Continua a estudar, miúda! Quanto à escrita, não sei o que te diga. A verdade é que pus um pouco de lado com o passar dos anos mas prometo que vou mudar isso


Dois parágrafos depois e até vês que não estamos mal, não é verdade? Então toma a cereja no topo do bolo: vais tirar a carta de condução. E vais amar conduzir. Vais descobrir que conduzir pela auto-estrada ao final de tarde é maravilhoso. Para estacionar a cantiga é outra. E eu não disse que íamos ser milionárias portanto também não vais andar a conduzir um Mercedes nem um Lamborghini. Ainda assim será um veículo seguro não te preocupes. Alguém irá viajar eheh!

Agora as notícias menos boas. Vais conhecer  pessoas que são simplesmente idiotas. Outras que até sofrem de estupidez crónica. Faz parte, querida. Por outro lado, vais ter também as tuas pessoas. Não vão ser um grupo enorme, são apenas as suficientes. As que gostam mesmo de ti, de verdade. Vais também perceber que o teu pai sempre esteve ali para ti. À maneira dele, tu sabes. Mas esteve. A família é mesmo um pilar importante.

Sabes outra coisa? Vais usar aparelho. Sim, sim. Durante quase 3 anos. Não te preocupes que não vai doer. Bem, quando o colocares sim. No dia seguinte vais acordar como se alguém te tivesse dado um murro na boca. Mas aquela coisa de doer quando fores apertar todos os meses? Podes esquecer isso que vai ser tranquilo. O acne também vai desaparecer. Compra argila em pó e faz máscaras 2 vezes por semana que isso desaparece, por isso, come chocolate descansada está bem? E esse cabelo eu sei que já estás fartinha dele... mas depois de uma ondulação ele vai ficar com mais volume e vais andar a divar pela rua. 

Não tenho todas as respostas para as tuas perguntas mas espero ter-te acalmado de alguma forma. Vamos ficar bem. Talvez eu é que de esperar mais uns anos pela minha próxima carta."

29/12/18

Os meninos da Serra da Luz

Isto é uma história sobre os meninos com quem trabalhei no último ano e meio da minha vida. Tudo começou o ano passado, em 2017, estávamos em pleno Janeiro e eu sentia que precisava de contribuir,que queria fazer voluntariado. Não sabia em que área até que conheci a Belinha, que me apresentou um projeto num bairro chamado Serra da Luz.

Comecei como voluntária e, quando dei por mim, estava a trabalhar nesse projeto, como monitora (ainda levou alguns meses, mas isto é só um post, por isso fiz fast forward). Basicamente tinha de ajudar as crianças no estudo, de preparar lanches, entre outras tarefas inerentes. Pode não parecer nada de mais, mas trabalhar com crianças e adolescentes não é pêra doce. 

Nas primeiras semanas e até meses, uma voz ecoava na minha cabeça: "se calhar, seria melhor entregar a carta de demissão e procurares outro trabalho". Porque não é fácil mesmo. Era díficil pôr os putos estudar quando nem eles próprios queriam saber da escola para nada. Era díficil impor silêncio numa sala quando eles não te conheciam e olhavam para ti como uma pessoa de fora. Reparem, são crianças adoráveis mas que não têm vidas fáceis e é aqui que entra o meu maior aliado: o tempo. Dia após dia, mês após mês, fomos criando uma ligação. Vá lá, eu demorei quase meio ano para ouvir um: "Adeus, Catarina!". É que até lá, era adeus a todos os monitores que lá estavam, menos à novata, moi-même!
 
Hoje foi o meu último dia de trabalho, o projeto fechou. O meu coração fica apertado porque é menos um sítio para eles irem. No entanto,esta experiência ensinou-me que as crianças são mais fortes do que aquilo que aparentam. Sim, é menos um sítio para estarem, mas elas vão ficar bem. E eu também. 

Obrigada, de coração, por me tornarem numa pessoa melhor.

22/10/18

Era uma bela tarde numa quinta-feira quando te sentes um pouco cansada. Claro que isso não te impede de te enfiares nos transportes e de ires para o trabalho. Quando lá chegas, vais piorando ao ponto de pedires para ir para casa. E com razão porque mais tarde descobres que estás com 38ºC de febre. 
No dia seguinte, ainda mal entraste no teu local de trabalho e vês uma criança lá no fundo a correr de braços abertos e com um sorriso no rosto a gritar: "Catariiiina, estás melhor??" 
No meu pensamento, ocorreu-me três coisas:

- Após um ano a trabalhar com miúdos, o teu português regride e não é pouco. Lamentas a tua licenciatura em Línguas e Literaturas quando dás por ti a dizer: "eu ouvi ele a dizer". 

- O teu gosto musical também regride um bocadinho. De repente, estás rodeada de crianças a cantarem Soraia Ramos (perdoem-me a ignorância mas até há pouco não fazia puto de ideia quem fosse) em plenos pulmões.

- O teu coração vai mais cheio para casa. Vai mesmo sobretudo porque confiam em ti. Por outro lado, a tua cabeça fica de mal a pior. Às vezes sais de lá com dores e percebes até que a tua memória, se dantes não era grande charuto, agora é ainda pior. Mas estamos a falar do coração, claro. 

Já lá vai um ano disto. Começo a pensar que deveria cobrar 5 cêntimos por cada "Catariiina" que oiço numa tarde. Ficaria rica num ápice.

02/10/18

A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata



Atrevo-me a dizer que foi dos melhores filmes que já vi nas últimas semanas. Não é digno de um Óscar, mas tem uma história lindíssima. Achava que era daqueles filmes em que o cansaço iria falar mais alto e enganei-me. Recomendo. 

Por aí, já viram? O que costumam fazer quando descansam? Dormir também é válido :D

17/09/18

Melhor de mim



"Também eu estou 
À espera de mim 
Algo me diz 
Que a tormenta passará"

E vai passar. Os últimos meses têm sido desafiantes e com algumas conquistas. A mais recente foi ter feito o curso de formadores e o de poder agora exercer oficialmente o papel de formadora :-) 

Por aí, como têm passado?

05/06/18

1 mês e meio depois...


Estou de volta. Ou, pelo menos, vou tentar estar. Encontro-me bem de saúde, mas sei que não é esse o cerne da questão. Mais relevante ainda é o que tenho andado a fazer nestes últimos tempos. 

Bom, vamos por partes. Isto de dar aulas e de poder trabalhar com jovens e adolescentes ainda é novidade para mim. Estaria a mentir se dissesse que é uma maravilha diariamente. Não é bem assim, principalmente com os adolescentes que parece que não se interessam por nada e quando é para dar sugestões, tá' quieto. Para estudar, às vezes, é quase como se lhes pedissem para vender a alma ao diabo. Faz parte. O meu gosto musical baixou ligeiramente (noutro dia, dei por mim a ouvir uma música dos Anjos, misericórdia!) e o meu português também (euzinha já disse: "pede a ela para fazer isto" em vez do bem dito pronome: "pede-lhe"). 

Claro que há um lado bom nisto tudo, senão já teria entrado em colapso. A melhor parte é que muitas vezes vou para casa com o coração cheio. Ou cheio de tralhas de desenhos, origamis ou até rabiscos nos braços. De ver que, de certa forma, criei uma ligação com os miúdos (demorou 6 meses até que me dissessem: "Adeus, Catarina!", com direito ao meu nome e tudo!) ou que até gostam de estudar comigo e aprendem qualquer coisa. Entretanto, levei uma aluna a exame de mandarim que teve quase nota máxima - por 10 pontos! - e levantei algumas negativas. Eu, enquanto profissional, na área da educação não podia estar mais satisfeita.  Não, o mérito não foi meu. Foi deles, que se esfolam para caramba. Eu apenas aprendi técnicas de ensino e posso melhorar enquanto educadora. 

O lado mais díficil? É não ceder à sociedade. Porque, aos seus olhos, uma pessoa que larga trabalhos estáveis para se aventurar em outros de ordenado inferior é só louca.  Fiz uma escolha e eu sabia que ela tinha consequências. Se tenho saudades de esbanjar? Tenho, pois claro. De entrar numa loja e comprar n peças de roupa ou de esbanjar uma pequena centena em saltos de pára-quedas ou workshops (os meus amigos até diziam na brincadeira que eu era um banco chinês!) Tenho saudades sim. No entanto, também gosto de ir trabalhar feliz e até há uns tempos achava mesmo que isso não era possível. Pelo menos, não a longo prazo. 

E por aí, que têm feito? Como estão vocês? 
Devaneios Lisboetas. Com tecnologia do Blogger.

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"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

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