22/10/18

Era uma bela tarde numa quinta-feira quando te sentes um pouco cansada. Claro que isso não te impede de te enfiares nos transportes e de ires para o trabalho. Quando lá chegas, vais piorando ao ponto de pedires para ir para casa. E com razão porque mais tarde descobres que estás com 38ºC de febre. 
No dia seguinte, ainda mal entraste no teu local de trabalho e vês uma criança lá no fundo a correr de braços abertos e com um sorriso no rosto a gritar: "Catariiiina, estás melhor??" 
No meu pensamento, ocorreu-me três coisas:

- Após um ano a trabalhar com miúdos, o teu português regride e não é pouco. Lamentas a tua licenciatura em Línguas e Literaturas quando dás por ti a dizer: "eu ouvi ele a dizer". 

- O teu gosto musical também regride um bocadinho. De repente, estás rodeada de crianças a cantarem Soraia Ramos (perdoem-me a ignorância mas até há pouco não fazia puto de ideia quem fosse) em plenos pulmões.

- O teu coração vai mais cheio para casa. Vai mesmo sobretudo porque confiam em ti. Por outro lado, a tua cabeça fica de mal a pior. Às vezes sais de lá com dores e percebes até que a tua memória, se dantes não era grande charuto, agora é ainda pior. Mas estamos a falar do coração, claro. 

Já lá vai um ano disto. Começo a pensar que deveria cobrar 5 cêntimos por cada "Catariiina" que oiço numa tarde. Ficaria rica num ápice.

02/10/18

A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata



Atrevo-me a dizer que foi dos melhores filmes que já vi nas últimas semanas. Não é digno de um Óscar, mas tem uma história lindíssima. Achava que era daqueles filmes em que o cansaço iria falar mais alto e enganei-me. Recomendo. 

Por aí, já viram? O que costumam fazer quando descansam? Dormir também é válido :D

17/09/18

Melhor de mim



"Também eu estou 
À espera de mim 
Algo me diz 
Que a tormenta passará"

E vai passar. Os últimos meses têm sido desafiantes e com algumas conquistas. A mais recente foi ter feito o curso de formadores e o de poder agora exercer oficialmente o papel de formadora :-) 

Por aí, como têm passado?

05/06/18

1 mês e meio depois...


Estou de volta. Ou, pelo menos, vou tentar estar. Encontro-me bem de saúde, mas sei que não é esse o cerne da questão. Mais relevante ainda é o que tenho andado a fazer nestes últimos tempos. 

Bom, vamos por partes. Isto de dar aulas e de poder trabalhar com jovens e adolescentes ainda é novidade para mim. Estaria a mentir se dissesse que é uma maravilha diariamente. Não é bem assim, principalmente com os adolescentes que parece que não se interessam por nada e quando é para dar sugestões, tá' quieto. Para estudar, às vezes, é quase como se lhes pedissem para vender a alma ao diabo. Faz parte. O meu gosto musical baixou ligeiramente (noutro dia, dei por mim a ouvir uma música dos Anjos, misericórdia!) e o meu português também (euzinha já disse: "pede a ela para fazer isto" em vez do bem dito pronome: "pede-lhe"). 

Claro que há um lado bom nisto tudo, senão já teria entrado em colapso. A melhor parte é que muitas vezes vou para casa com o coração cheio. Ou cheio de tralhas de desenhos, origamis ou até rabiscos nos braços. De ver que, de certa forma, criei uma ligação com os miúdos (demorou 6 meses até que me dissessem: "Adeus, Catarina!", com direito ao meu nome e tudo!) ou que até gostam de estudar comigo e aprendem qualquer coisa. Entretanto, levei uma aluna a exame de mandarim que teve quase nota máxima - por 10 pontos! - e levantei algumas negativas. Eu, enquanto profissional, na área da educação não podia estar mais satisfeita.  Não, o mérito não foi meu. Foi deles, que se esfolam para caramba. Eu apenas aprendi técnicas de ensino e posso melhorar enquanto educadora. 

O lado mais díficil? É não ceder à sociedade. Porque, aos seus olhos, uma pessoa que larga trabalhos estáveis para se aventurar em outros de ordenado inferior é só louca.  Fiz uma escolha e eu sabia que ela tinha consequências. Se tenho saudades de esbanjar? Tenho, pois claro. De entrar numa loja e comprar n peças de roupa ou de esbanjar uma pequena centena em saltos de pára-quedas ou workshops (os meus amigos até diziam na brincadeira que eu era um banco chinês!) Tenho saudades sim. No entanto, também gosto de ir trabalhar feliz e até há uns tempos achava mesmo que isso não era possível. Pelo menos, não a longo prazo. 

E por aí, que têm feito? Como estão vocês? 

24/04/18

Tu



Na capital do país, a multidão aglomerava-se na plataforma à espera do metro. Caminhava em passos aleatórios e, por fim, parei à espera. De repente, olhei para o outro lado da linha e vi-te. Se não acreditasse no destino, depois disto teria de acreditar. Qual a probabilidade de parar mesmo à tua frente, depois de tantos anos sem te ver? Não tiravas os olhos do chão como, se de certa forma, estivesses a esconder o rosto. Eu, por outro lado, não conseguia desviar o olhar de ti. Deveria gritar pelo teu nome? Até o faria mas sentia a garganta presa. Só queria que levantasses a cabeça para ter a certeza que eras mesmo tu ao fim deste tempo todo. Aliás, conhecendo-te como conheço, com certeza já deste pela minha presença.

O meu metro chegou. Entrei e continuei a olhar pelo vidro. As portas fecharam e, quando estava prestes a arrancar, tu levantaste a cabeça e olhaste para mim. Senti que estavas a olhar através de mim, como se voltasse a ser a mesma rapariga de há 10 anos atrás. Queria-te esboçar um sorriso mas não conseguia de todo reagir. Finalmente o metro começou a andar, afastando-me de ti, mais uma vez. 

Seguíamos sentidos opostos, como de costume.  

19/03/18

E não é só por ser dia do pai...


Sempre que vou a casa do meu pai e, sobretudo, se vou trabalhar nessa manhã, há um ritual que é sempre feito. Assim que acordo, o meu pai entra na cozinha e prepara-me o pequeno-almoço. Enquanto estou à mesa, ele vai-me perguntando o que quero beber. Talvez por não ser a pessoa mais faladora de manhã, disse:

- Pai, não precisas de me fazer o pequeno-almoço. Não sou nenhuma criança.

- Se não és criança és o quê? Enquanto eu existir, tu vais ser sempre uma criança. 

Estava demasiado ensonada para responder. Ele continuou:

Sabes, eu quando dava aulas, acordava às 6 e meia da manhã e já tinha o pequeno-almoço todo feito. As papas, o pão, tudo. Eu bem dizia aos meus pais que não era preciso mas eles preparavam à mesma. 
Sorri para mim. Pensei também que se calhar não é por acaso que dou aulas.

23/02/18

Coisas dos miúdos #2

Entro na sala de estudo e um dos rapazes pergunta:

- Catarina, qual de nós tem a caligrafia mais bonita? 

E do nada fico com dois cadernos erguidos para comparar. De repente, a terceira rapariga acaba de escrever levanta o seu caderno e diz:

- Ché, olhem para esta beleza! 

Eu juro que tentei, que pedi aos anjinhos para manter um ar sério e adulto mas não deu. Desmanchei-me a rir e eles também.
Devaneios Lisboetas. Com tecnologia do Blogger.

Vamos devanear?

devaneioslisboetas@gmail.com

Acerca de mim

A minha foto
"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

Blogging.pt

Blog Portugal

A devanear comigo