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14/11/19

Como um miúdo de 10 anos me alegra o dia

                                                                                            Dead Poet Society, 1989

Tem sido um ano bom, com muito trabalho (e saúde, claro). As últimas semanas têm sido desafiantes e têm-me feito questionar muita coisa. 

Mas hoje numa das minhas aulas foi assim, a meio de um exercício sobre o Present Simple e Continuous.

Aluno: - Sabe quem é que me tem ajudado a melhorar esta matéria?

Eu: - Hum....o teu irmão?

Lembrei-me que ele também frequenta o mesmo centro de estudos, com uma das minhas colegas. 

Aluno: - Não. Você. 

Impossível não sorrir. 

Aluno: -Tenho acertado tudo agora.

Eu:- Isso é que é qualidade, já viste?

Aluno: Qualidade é você ensinar-me! 

E assim se torna um dia chuvoso num dia lindo. Isto e o facto de ter partilhado com ele as minhas bolachas de chocolate com ele. Ficou com as migalhas coladas na cara. 

São miúdos assim que fazem tudo valer a pena.

18/02/19

Carta para o meu "eu" de 16 anos

Passamos a vida a dizer: "Se eu soubesse na altura o que sei hoje...". Eu mesma já o disse diversas vezes e eis o resultado:

"Minha querida,

Tenho excelentes notícias para ti. Eu sei que as coisas estão uma bela merda agora no Secundário mas eu prometo que na Faculdade as coisas vão melhorar. Vais adorar o teu curso, só vais ter pena que seja tão curto. Também te vais apaixonar por lá  e digo-te apenas uma coisa: confia mais no teu instinto porque ele raramente falha. Aprendeste uma das  lições mais importantes desta vida há bem pouco tempo, a de contar sempre contigo mesma para tudo, o resto é um bónus. Essa filosofia é a base de tudo, pois vai-te acompanhar sempre. 

As pessoas dizem que podemos ser tudo aquilo que quisermos mas não é bem assim. Tu claramente já deves ter percebido que não tens grande aptidão para a Matemática e Educação Física então nem se fala. Deixa lá, não vamos ser nenhum Einstein nem vamos para os Jogos Olímpicos. Mas esse gosto que tens pelas línguas estrangeiras não é por acaso. Investe nisso, está bem? Lá está, segue o teu instinto. Tu vais acabar a faculdade com 21 aninhos e a tua prioridade vai ser encontrar um trabalho. Seja em que área for. Não vai ser fácil, mas o facto é que vais ter muitos trabalhos, todos relevantes para o teu crescimento enquanto ser humano e para adquirires requisitos que nunca imaginarias alcançar. No entanto, um dia, vais pensar que a vida tem de ser mais do que isso. Mais do que ter um trabalho é ter O trabalho! E eu garanto que o vais ter! Vais descobrir o teu propósito de vida e vais ser muito boa naquilo que irás fazer. Não acreditas pois não? Eu também demorei a acreditar mas os outros também reparam no teu trabalho. Continua a estudar, miúda! Quanto à escrita, não sei o que te diga. A verdade é que pus um pouco de lado com o passar dos anos mas prometo que vou mudar isso


Dois parágrafos depois e até vês que não estamos mal, não é verdade? Então toma a cereja no topo do bolo: vais tirar a carta de condução. E vais amar conduzir. Vais descobrir que conduzir pela auto-estrada ao final de tarde é maravilhoso. Para estacionar a cantiga é outra. E eu não disse que íamos ser milionárias portanto também não vais andar a conduzir um Mercedes nem um Lamborghini. Ainda assim será um veículo seguro não te preocupes. Alguém irá viajar eheh!

Agora as notícias menos boas. Vais conhecer  pessoas que são simplesmente idiotas. Outras que até sofrem de estupidez crónica. Faz parte, querida. Por outro lado, vais ter também as tuas pessoas. Não vão ser um grupo enorme, são apenas as suficientes. As que gostam mesmo de ti, de verdade. Vais também perceber que o teu pai sempre esteve ali para ti. À maneira dele, tu sabes. Mas esteve. A família é mesmo um pilar importante.

Sabes outra coisa? Vais usar aparelho. Sim, sim. Durante quase 3 anos. Não te preocupes que não vai doer. Bem, quando o colocares sim. No dia seguinte vais acordar como se alguém te tivesse dado um murro na boca. Mas aquela coisa de doer quando fores apertar todos os meses? Podes esquecer isso que vai ser tranquilo. O acne também vai desaparecer. Compra argila em pó e faz máscaras 2 vezes por semana que isso desaparece, por isso, come chocolate descansada está bem? E esse cabelo eu sei que já estás fartinha dele... mas depois de uma ondulação ele vai ficar com mais volume e vais andar a divar pela rua. 

Não tenho todas as respostas para as tuas perguntas mas espero ter-te acalmado de alguma forma. Vamos ficar bem. Talvez eu é que de esperar mais uns anos pela minha próxima carta."

17/09/18

Melhor de mim



"Também eu estou 
À espera de mim 
Algo me diz 
Que a tormenta passará"

E vai passar. Os últimos meses têm sido muito desafiantes e com algumas conquistas. A mais recente foi ter feito o curso de formadores e poder agora exercer oficialmente o papel de formadora :-) 

Por aí, como têm passado?

19/05/17


Quem trabalha no atendimento ao público sabe que, de vez em quando, tem de engolir uns quantos sapos. Contudo, há casos em que dá mesmo vontade de regar a pessoa com gasolina e vê-la arder. Senão vejamos este caso: uma senhora aborda-me a pedir uma informação. Até aqui tudo bem, visto  fazer parte do meu trabalho. 

- Bom dia. Onde fica a Swarovski?

- Bom dia. É no segundo piso à direita, senhora. 

- Fica ao pé do quê? 

- Olhe, fica perto da Swatch. 

- Eu não perguntei pela Swatch, perguntei pela Swarovski - dito com o ar mais arrogante de sempre. 

Fiquei a olhar para ela, perplexa. 

- Correcto. E eu disse que fica no corredor da Swatch. 

- Ahhh! ( explosão de risos) Percebi mal. 

E a louca sou eu, claro.

10/04/17

Quando a vida nos dá limões...

Tudo começou com um telefonema às 7 da manhã. Fora do vulgar e o suficiente para abalar o meu mundo. O meu pai precisava de mim e, apenas tive tempo para saltar da cama, ligar à chefe a explicar a situação, vestir qualquer coisa e sair de casa. 

Durante o caminho, repetia as suas palavras na minha cabeça: "Dói-me mesmo o peito, podíamos ir ao hospital?" Sentia-me triste e zangada, ao mesmo tempo, por ele não me ter ligado logo, por ter esperado tantas horas até me pedir ajuda.  Por experiência, nestas alturas não existe tempo para hesitações, somente tempo para agir. Chamar o 112, ajudar os paramédicos naquilo que precisassem e NUNCA, em circunstância alguma, poderia perder a calma. Era legítimo estar nervosa mas, perder a cabeça, seria a minha sentença.  

Uma vez que não podia ir com os paramédicos na ambulância, fui ter ao hospital noutra viatura. O dia estava longe de acabar. Chegar lá, pedir informações a funcionários frustrados com a vida - havia lá um segurança cuja sensibilidade faria furor num estabelecimento prisional mas num hospital passava por incompetente - andar para trás e para a frente à procura do meu pai. Tudo isso é tolerável, tudo menos... a espera. Disseram-me que só poderia ir vê-lo às 11h. Olhei para o telemóvel e roguei uma praga aos dígitos que via no ecrã: 9h15. Vi o meu pai a passar por mim de relance numa cama, rodeado de médicos, enquanto me chamava. 


 Foi a gota de água. É também nestas alturas que a raça humana me surpreende porque, enquanto soluçava, o rapaz sentado ao meu lado dizia-me: "Não fiques assim, vai correr tudo bem. Vão tratar bem dele." Mal ele sabe o quanto me ajudou, porque ali à conversa ajudou o tempo a avançar bem mais depressa. O que assusta é o desconhecido, é o não saber o que está do outro das portas que dá cabo de nós. Um pouco antes das 11h, disseram-me que o meu pai estava bem e que se encontrava no serviço de Cardiologia. 

Agradeci a todos os anjinhos enquanto percorria, mais uma vez, os corredores do hospital. Foi dos piores dias da minha vida mas, como costumo dizer... depois de tanta merda que já enfrentei, venha um touro que eu agarro-o pelos cornos. As mensagens de apoio também foram caindo no telemóvel. Mesmo com um feitio de merda, tenho malta que se preocupa comigo, portanto, alguma coisa de bem eu fiz :-) 

24/02/17

This Is Us


Confesso que o trailer não me cativou muito. Pareceu-me demasiado alarido, sabem? Tenho a dizer que me surpreendeu bastante. No fundo a série fala sobre pessoas, as suas relações, os seus sentimentos e emoções, abordando problemas bem reais do quotidiano. Mostra também que o universo tem a sua magia e que, de certa forma, é importante tirarmos partido de tudo, até das más experiências. O primeiro episódio deixou-me com um sorriso no rosto. Porque o lema é: "When life gives you lemons, make lemonade." :-)

Eu recomendo.

02/10/16

Donna


aqui falei desta série e volto a referir. É das melhores que já vi nos últimos tempos e uma das minhas personagens preferidas da série Suits é a Donna. Para quem não conhece, a Donna é uma mulher lindíssima sem papas na língua, perspicaz, profissional, meiga e preocupada com o outro. Sabe sempre o que deve (ou não) fazer. Claro que tem os seus momentos de fraqueza, mas sem dúvida que é um furacão com um coração de manteiga. 

Se há coisa que aprendi até há pouco tempo, é que não temos de ser uma Donna 365 dias do ano. Que não há problema em, de vez em quando andar mais vulnerável, de não saber o que fazer em algumas situações ou de simplesmente ir abaixo. Não nos torna menos "Donna" apenas revela que somos fortes, mas não de ferro. Por isso, se houver momentos em que te apetece gritar "porra para esta merda" e partir algo é perfeitamente natural. 

Também faz parte. 

05/08/16

Um ano


Lembro-me tão bem deste dia há exactamente um ano atrás e da pilha de nervos em que me encontrava. Mas, no fim, acabei com o coração a rebentar de alegria quando  passei no exame de condução. Na mesma noite segui para o Algarve (só para ser desmancha-prazeres fui de autocarro) e tinha o meu melhor amigo à espera na estação. Assim que entrei no carro, vi uma caixa de kinder hippo e um gelado à minha frente. Soube-me a vitória mas, acima de tudo, a liberdade. Acreditem, tirar a carta de condução foi um grande desafio para mim e só o facto de não ter desistido, por si só, já significou muito. 

É obvio que continuo a conduzir mal e porcamente, bom, quer dizer... já progredi bastante e ainda faço uma festa quando consigo estacionar de lado à primeira, mas não é mentira nenhuma quando dizem que só aprendemos a conduzir lá fora. Grandes sustos que já apanhei mas aqui estou eu para contar a história :-) 

Podem ler o post do ano passado aqui.

25/04/16

Peripécias com a minha bestie




Estacionei o carro e liguei à minha melhor amiga.

- Estou aqui à frente do teatro. A tua casa não é muito longe daqui pois não?

Admito que o meu sentido de orientação nunca foi o melhor. Já fui a casa dela algumas vezes de carro  mas por um caminho diferente e portanto fiquei na dúvida. 

- Não. Como vens a pé, é só desceres a rua e depois viras à direita.

Se isto fosse uma conversa normal entre duas amigas, a coisa acabaria aqui maaas..... como eu sei que ela sofre de uma ligeira dislexia para distinguir a esquerda da direita (sim, meus queridos, está mesmo cientificamente comprovado que isso existe), vacilei.

- Tens a certeza que é para virar à direita

- (pausa) Ahhhh não. Esquerda, até porque nem consegues virar à direita.

Nem vos conto como foi a nossa viagem em Praga.

15/04/16

O homem do jogging


Um tempo dos diabos. Saí para ir trabalhar a rogar uma praga ao vento que ameaçava virar o meu guarda-chuva. Levava comigo a farda num saco de papel vermelho (do género dos sacos da Primark, estão a ver?). Estava consumida no meu mau humor, quando de repente passa por mim um homem a fazer jogging à chuva. O que me chamou a atenção não foram os seus peitorais que tão bem se destacavam por baixo da t-shirt ensopada, mas a sua expressão. Caminhava com um sorriso no rosto e distraído nos seus devaneios, enquanto recuperava o fôlego. Segundos depois, voltou à corrida. 

Secretamente desejei ser como ele. Olhei para as pessoas à minha volta e algumas estavam a travar a mesma batalha que a minha, com o seu chapéu. Alheias ao que se passava à sua volta. Desejei largar tudo e correr tal como o homem que passara por mim, deixando a chuva tomar conta do resto. Claro que o bom senso e o meu lado racional não me permitiram fazer isso, mas sinceramente… mais valia tê-lo feito.

Cheguei ao trabalho encharcada e com as calças de ganga tingidas de vermelho. Sabem, é que papel vermelho, vento e chuva não são DE TODO uma boa combinação. No entanto, a cena do jogging não me saía da cabeça. Assim que regressei a casa, pus mãos à obra e continuei a trabalhar com afinco nos meus projetos. 

O homem que vi hoje foi como um pequeno lembrete que a vida me deu.  Algum dia vais ter de começar a fazer algo por ti. A vida passa a voar e não é agradável olhar para trás e ver que ela te passou ao lado. Que passaste a vida a lutar contra um chapéu quando se calhar também poderias andar a correr feliz à chuva. Falo por experiência própria. E é natural sentir medo e insegurança, ainda hoje de manhã criei uns dramas na minha cabeça dignos de uma novela da TVI. Ah, e falta também acrescentar a frustração. São precisos mil passinhos para obter um resultado - sem garantias de que seja um bom resultado. Mas vale a pena tentar, garanto-te. Por ti.
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"Eu desejava dizer muitas coisas à rapariga que roubava livros, acerca de beleza e brutalidade. Mas o que podia eu dizer-lhe acerca dessas coisas que ela não soubesse já? Queria explicar-lhe que estou constantemente a sobrestimar e a subestimar a raça humana - que raramente me limito a estimá-la. Queria perguntar-lhe como podia a mesma coisa ser tão horrível e tão gloriosa, e as suas palavras e histórias tão nefandas e tão brilhantes", Mark Zusak em " A Rapariga que roubava livros"

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